No ano de 1967, a entusiástica noite de verão proporcionaram discretas festas animando os turistas, um forte vento soprava na praia, jovens casais sentavam-se no tronco caído observando as ondas.

 Os transeuntes curiosos aproximavam-se tentando obter alguma oportunidade de adentrar no festejo, eu estava com a cabeça doendo, a neblina da madrugada me causou dores na cabeça, festas nunca me entusiasmaram. Acabei por me despedir de uma tia dizendo: — Amanhã cedo vejo a senhora novamente —, acenei enganosamente como se eu estivesse com sono.

 Naquela pousada na parte superior que dividia o beco da casa, caminhei por um corredor com cacos de vidros fixos no muro talvez para afugentar criminosos. A cada passo o silêncio tornava-se presente, vislumbrei o primeiro vulto, acreditei por breve momento ser algo da minha mente, acabei não dando importância.

 Mas quando subi a escada para o terraço da casa havia algo parado atrás de um vaso de jabuticaba, não era gato, eu tinha plena certeza disso. Era semelhante a uma sombra, porém bem escura. O corpo paralisou no degrau da escada, o suor do rosto se intensificava, os braços tremeram.

 Aquela escura sombra desapareceu, levantei a cabeça no corrimão da escada e vi o vulto entre as árvores de  bananeira.

 Isso tudo aconteceu em segundos, não recordo de correr tanto na minha vida como naquele dia, apesar de ter quase 80 anos ainda tenho o costume de sempre dormir com as lâmpadas acesas.

Relato Sobrenatural.

 
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