A partir de 1800, surgiu um doença mortífera, cujo nome ficou conhecido com a peste negra, a epidemia surgiu na Europa entre 1347-1352, (em referência aos bubões - inchaço ganglionar) que surgia nas virilhas, axilas e em volta dos ouvidos das pessoas infectadas, já que o germe da Peste invadia os linfonodos.
Na época, as pessoas referiam-se a ela como “pestilência” entre outros termos. Sua origem remonta ao Oriente, entre 1346-1360 e se manifestava como uma combinação de peste bubônica, septicêmica e pneumônica.
Uma gravura em madeira de 1864 retratando uma cena medieval da peste. O arauto da cidade empurra uma carroça, recolhendo os corpos das vítimas da peste, e a legenda diz "tragam seus mortos". Foto: Biblioteca Nacional de Medicina
O poeta italiano Giovanni Boccaccio (*1313 +1375), mais conhecido por sua obra O Decameron (escrito entre 1349-1353), relatou que a doença era tão assustadora e mortal que os doentes eram dados como mortos vivos, as mulheres sujeitava-se aos cuidados de homens, expondo sem pudor a sua nudez (para época era algo inimaginável), está escrito:
Por isso, os doentes de ambos os sexos, cujo número não podia ser estimado, ficavam sem outro recurso senão a caridade de amigos (e poucos eram), ou o interesse de criados, que eram difíceis de encontrar a preços exorbitantes e em condições desfavoráveis, e sendo, além disso, todos homens e mulheres de pouca inteligência, e na sua maioria não habituados a tais funções, não se preocupavam com mais nada além de suprir as necessidades imediatas e expressas dos doentes e vê-los morrer; serviço no qual eles próprios não raramente esgotavam os seus ganhos. Em consequência da escassez de criados e do abandono dos doentes por vizinhos, parentes e amigos, aconteceu — algo talvez nunca antes visto — que nenhuma mulher, por mais delicada, bela ou de boa linhagem que fosse, ao ser acometida pela doença, se esquivava dos cuidados de um homem, não importando se ele era jovem ou não, ou hesitava em expor-lhe cada parte do seu corpo, sem mais pudor do que se ele fosse uma mulher, submetendo-se por necessidade ao que sua enfermidade exigia; daí, talvez, tenha resultado, com o tempo, em alguma perda de pudor naquelas que se recuperaram.
A Peste Negra não matou apenas pessoas – ela destruiu o modo de vida medieval.
Giovanni Boccaccio escreveu:
Não se tratava apenas de uma ou duas vezes em que um mesmo esquife carregava dois ou três cadáveres de uma só vez; mas um número bastante significativo de casos semelhantes ocorria, um esquife servindo para marido e mulher, dois ou três irmãos, pai e filho, e assim por diante. E inúmeras vezes acontecia que, enquanto dois sacerdotes, carregando a cruz, se dirigiam para realizar o último ofício para alguém, três ou quatro esquifes eram trazidos pelos carregadores atrás deles, de modo que, enquanto os sacerdotes supunham ter apenas um cadáver para enterrar, descobriam que havia seis ou oito, ou às vezes mais. E, apesar de seu número, seus funerais não eram honrados com lágrimas, luzes ou multidões de enlutados; pelo contrário, chegara-se ao ponto de que um morto não tinha mais importância do que uma cabra morta teria hoje.
Há relatos que eram tantos os mortos que os homens ficavam só cobertos da cintura para cima, não havia tempo para enterrar os cadáveres em buracos mais fundos, à noite os cachorros vinham aos túmulos cavavam e arrastavam os defuntos para serem devorados na floresta.




0 Comentário :
Postar um comentário
Gostou? Discordou? Comente! Sua opinião vale ouro e nos ajuda a melhorar cada vez mais!