27 de abr. de 2020


A busca da famosa Arca da Aliança, um dos tesouros mais misteriosos do Antigo Testamento e que foi construído seguindo as precisas instruções de Deus aos pés do monte Sinai, durou dezenas de séculos e mexe com a imaginação de teólogos, aventureiros e arqueólogos.

A bíblia, em Êxodo 25, 10-22, a descreve com muito detalhe: era uma espécie de cofre de madeira de acácia, revestida por dentro e por fora com ouro puro, que meia 2,5 covados de comprimento e 0,75 de de largura e altura (uns 1,25 metros de largura por 0,75 de altura). Uma borda ou guirlanda de ouro rodeada sua parte superior e por fora levada fixos quatro anéis de ouro ambos lados, através dos quais se colocavam duas longas varas, também de madeira de acácia revestidas de ouro, para poder transporta-la.

Sua tampa superior, chamada "propiciatório", era de ouro maciço e levava em cima a imagem de dois querubins de ouro, um com o rosto olhando para o outro e com as asas abertas, que miravam para o centro da caixa. Entre o espaço entre ambos querubins e o propiciatório se formava um espaço aberto - uma espécie de triângulo sagrado - que se chamava oráculo, e era parte mais sagrada da Arca.  

Ali Yahveh fazia suas prescrições a Israel. "E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel". (Êxodo 25:22)

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Uma vez que a Arca foi construída, a Bíblia nos conta que " e deu Moisés no Monte Sinai duas tábuas do testemunho, duas tábuas de pedra escritas com o dedo de Deus. E Moisés tomou o testemunho e o colocou dentro da Arca". (Livro do Êxodo).

Carta aos Hebreus relata que, a parte do "testemunho" ou as tábuas da lei com os 10 mandamentos, ali também foram guardados a vara de Aarão que esverdeou e uma vasilha com o Maná que caiu do céu e alimentou o povo israelita no deserto.

A Arca da Aliança, que representava a aliança (pacto ou convênio) entre Deus e o povo judeu, se transformou a partir desse momento no objeto mais sagrado para Israel. 

Estava localizada no sancta sanctorum o lugar mais sagrado do tabernáculo ou do templo. Sua utilidade foi variada, pois não somente estava destinada a conter fama de ser uma arma capaz de proteger o povo elegido, sendo um braço executor dos castigos de Deus. Os significados da Arca iam mais além do simbólico: ter a Arca era ter a Deus.

Seu transporte e cuidado foi reservado somente à tribo dos levitas. Depois de deixar o Egito e durante a vida nômade e as expedições no deserto do povo judeu, a Arca sempre ia antes do povo porque ela mostrava que caminho seguir.

E quando eram levantados, os sacerdotes diziam: "Levante-te, Yahveh, que teus inimigos se dispersem, fujam diante de ti os que te odeia". Se alguma tribo inimiga atacasse, os israelitas tiravam a Arca a frente da batalha e os inimigos fugiam apavorados ( Número 10,34,35). A Arca viajava sempre coberta por um véu de proteção, mais uma capa de core fino, e um pão de cor púrpura.

PODERES MISTERIOSOS


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A Bíblia nos relata que a Arca da Aliança tinha poderes excepcional e incompreensível. Podia deter o curso dos rios, esmagarem montanhas e destruir exércitos inteiros. Quando o povo de Israel chegou a Terra Prometida e os judeus se encontraram com o rio Jordão, a Arca da Aliança deteve as águas da torrente para que os hebreus pudessem cruzar-los. 

(Josué 3,14-17: "... E em quanto os que levavam a Arca tocaram o margem das águas... as águas que desceu de cima pararam e formaram um somente bloqueio a grande distância...).

Mais talvez sua proeza mais impressionante foi a destruição das muralhas de Jericó. A Bíblia relata que, para conseguir, os israelitas estiveram dando voltas durante seis dias na cidade com a Arca da Aliança a reboque. 

Ao sétimo dia deram sete voltas, lançavam um grito de guerra, deixaram escutar suas trombetas e as muralhas caíram como castelos de naipes. (Josué 6,1-20). 

Quando os israelitas chegaram a Terra Prometida, a Arca foi colocada na cidade de Guilgal, e lhe construiu um pequeno santuário. Mais tarde foi transladada a Siquem, depois a Betel e finalmente a Silo, sua primeira residência de larga duração. 

Ali foi cuidada pela família do sacerdote Eli. Muitos anos mais tarde, durante uma sangrenta guerra contra os filisteus, a arca foi levada ao acampamento israelita com o objeto de levantar a moral dos guerreiros. Mas depois de uma trágica derrota dos hebreus, onde também morreram os dois filhos do juiz e o sacerdote israelita Eli.

Os filisteus a tomaram como um valiosíssimo troféu, desatando um verdadeiro luto em todo o país de Israel. 

Os filisteus acreditavam que a tomada da Arca significava uma vitoria de seus deuses sobre o Deus de israel, assim que a levaram a cidade de Asdod e a colocaram como um troféu de guerra no templo de seu deus Dagón. 

Na manhã seguinte, porém, encontraram a estátua de Dagón que estava caída de bruços para o chão diante da Arca. Assim que a levantaram e a colocaram de novo em seu lugar. Mas, na manhã seguinte, encontraram de novo a Dagón no chão, só que desta vez estava sem a cabeça e sem as mãos.

Ao mesmo tempo uma cruel doença (a praga bubônica talvez) atacou os asdodeus, enquanto que uma terrível invasão de ratos aflingiu a região. Esses castigos foram de imediatos atribuídos a presença da Arca dentro das paredes da cidade, assim que os filisteus transladaram a Arca a Gat e a Ecron, lugares onde ocasionou os mesmos azotes. 

Finalmente, depois de setes meses de espantosos eventos, por sugerência de seus sacerdotes e adivinhadores, os filisteus decidiram renunciar a seu assustador troféu e a colocaram sobre um carro levados por duas vacas, sem condutor, e a enviaram pelos campos para que fosse onde quisesse. 

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A carroça, assim, chegou a cidade judia de Bet-Shemesh. Ali, os israelitas saíram para o seu encontro, mais imprudentemente abriram a Arca e olharam dentro. Todos caíram fulminados. Espantados, os habitantes de Bet-Shemeh decidiram desfazer-se da Arca, e a mandaram para a vizinha cidade de Kiryat Yearim, onde permaneceram 20 anos esquecida. O rei David se lembrou então dela e decidiu transladar para a cidade de Sião.

A colocou em uma carreta tirada por bois e organizou uma procissão. Mais em certo momento, por um brusco movimento dos animais a carreta se cambaleou, e um homem chamado Uzá, para evitar que a Arca caísse no chão, tentou segura-la. E apenas a tocou e caiu morto.

Quando por fim chegou a Arca em Jerusalém, foi depositada em uma pequena tenda, a modo de santuário, construída por David, E quando anos mais tarde seu filho Salomão construiu o templo de Jerusalém, foi definitivamente colocada na parte mais sagrada do mesmo. E é curiosamente ali, no lugar mais protegido e seguro ao redor do ano 900 A.C, se perdeu sua pista para sempre.

Isso deu origem a uma busca que inspirou de crentes a caçadores de fortunas durante milênios.

QUAL A FORÇA QUE ESTÁ OCULTA NA ARCA?


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Um objeto que manava raios de luz divino podia deter o curso dos rios, esmagar muralhas, destruir exércitos, provocar doenças ou matar por contato tinha que ter poderes secretos.

Muitos aventureiros diz que a Arca era um condensador, uma arma nuclear ou uma caixa forte eletrificada. Em 1948 o físico Maurice Denis-Papin afirmava que a Arca era um condensador elétrico "capaz de produzir poderosas descargas de até 700 volts". Mais tarde Erich Von Daniken, em seu livro "lembranças do Futuo" (1968), dizia que essa área "era uma espécie de transmissor de rádio entre Yahveh e Moisés". E o famoso escritor J.J Benitez afirmava que era uma "arma mortífera" ao serviço do povo de Deus. 

Os cientistas atuais a definem como um tipo de arma tecnológica, já que combinava um material condutor como  o ouro com outro isolante como a madeira.

As placas de ouro por dentro e por fora, separadas por madeiras de acácia, o transformam em algo muito parecido a um capacitor elétrico, formando por uma par de superfícies condutoras separadas por um material dielétrico.


 ONDE ESTÁ A ARCA DA ALIANÇA?


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A busca da Arca, assim como o Santo Graal, tem sido objeto de desejo de muitos durante o século. O historiador alemão Otto Rahn, por exemplo, sem ir mais longe, tal como se conta nos famosos filmes da saga de Indiana Jones, afirma que os nazistas perseguiram duramente ambos as relíquias. 

Existem muitas teorias para explicar o atual paradeiro da Arca. Alguns sustem que os babilônios, comandados pelo rei Nabucodonosor II, depois de conquistar Jerusalém em 586 A.C, se apoderaram da Arca, a destruíram e fundiram seu ouro.

Outros sustenta que, durante essa invasão, foi ocultada pelos sacerdotes do templo. Segundo o livro de Macabeus, o profeta Jeremias tomou a Arca e a ocultou no Monte Nebo ("O profeta, depois de uma revelação, mandou levar consigo a Tenda e a arca; e saiu para o monte onde Moisés havia subido para contemplar a herança de Deus. E quando chegou Jeremias, encontrou uma sala em forma de caverna, ali colocou a Tenda, a Arca e o altar do incenso, e tampou a entrada. Voltaram alguns de seus acompanhantes para marcar o caminho, mais não puderam encontrá-la.

Enquanto Jeremias ficou sabendo disso, lhes repreendeu dizendo lhes: "Esse lugar ficará desconhecido até que Deus volte a reunir a seu povo e lhe seja propício. 

O Senhor então mostrará tudo: e aparecerá a glória do Senhor e a nuvem, como se mostrava no tempo de Moisés"). 

O jornal britânico The Telegraph, em uma reportagem sobre a Arca, respaldou essa teoria ao entrevistar ao Rabino Chaim Richaman, que afirmou que a santa relíquia estava localizada a um quilômetro do atual tempo de Jerusalém, "oculta em câmaras subterrâneas, cavas uma cadeia ininterrompidas de informação gravada e transmitida de geração em geração, o que indica sua posição exata. 

Sabemos onde está a Arca durante milhares de anos atrás. Poderemos cavar para tirar a Arca, mais essa região está controlada pelos muçulmanos".

Porém, outros historiadores e especialistas se inclinam a acreditar que a Arca se encontraria na Etiópia,  zelosamente guardada na catedral de Tsion Maryam, em Axum, onde haveria sido guardada por séculos por monges ortodoxos da cidade. A arca havia sido levada de Jerusalém pelo filho do rei Salomão - Imperador Menelik I, quem a levou primeiro a ilha de Elefantina, próximo do rio Nilo. Depois haveria sido levada a uma espécie de tabernáculo na ilha de Tana Cherkos (Tana Kirkos), localizada no lago Tana, onde permaneceu durante 800 anos. 

Posteriormente, o rei Ezana da Etiópia durante transladar a Arca da Aliança a Axum, considerada como a Jerusalém da Etiópia. Existem várias provas arqueológicas que respaldam a Jerusalém de Etiópia, como a existência ali de relíquias pertencentes ao povo judeu da época da Arca, e que pertenceram ao templo de Jerusalém.

Além disso, estranhamente a Arca é o ponto central do culto e a adoração cristã na Etiópia: cada um dos 20.000 templos da Etiópia contém uma réplica da Arca da Aliança.

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Em 1989 o jornalista britânico Graham Hancock respaldou essa teoria ao afirmar que a lendária relíquia não se encontrava perdida, mais que a salvo em uma igreja da Etiópia, a onde havia sido transladada secretamente há mais de mil anos (próximo de 1.650 anos A.C).

O patriarca ortodoxo da Etiópia, Abuna Paulos, de fato, confessou há poucos anos que havia "visto" a Arca da Aliança e que seu estado de conservação era "bom". 

Por tanto, os mais ortodoxos afirmam que o paradeiro dessa misteriosa e fabulosa Arca Sagrada, sinal visível da presença e proteção de Deus, tal como dizia o profeta Jeremias, seguirá sendo "desconhecido, até que Deus volta a reunir a seu povo e quando lhe seja propício.

















Com a Informação GuioTeca.

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