outubro 06, 2019
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ATENÇÃO: O texto desse artigo é descreve situações perturbadoras de maneira crua, então aconselhamos discrição para aqueles que se impressionam com narrativas sobre crimes reais.

Com base no artigo da página "Strange Universe" e "All That's Interesting"

Existem crimes tão terríveis que são capazes de nos chocar além da conta.

São casos que servem para pavimentar uma nova e obscura estrada de depravação e perversidade e que nos levaram a um caminho sem volta nos desvios da mente humana. Algumas vezes não parece haver limites para as profundezas escuras da alma. O mal pode realmente ser aterrorizante, um abismo no qual a luz não penetra, e do qual não existe escapatória.

Recentemente um crime perturbador cometido por um russo, cruzou a fronteira da bizarrice quando ele começou a profanar sepulturas de jovens mulheres na tentativa de traze-las de volta a vida para popular sua própria visão distorcida da realidade.

A série de medonhos eventos teve início na cidade de Nizhny Novgorod, na Russia, a quinta maior cidade do pais, onde vivia um jornalista e historiador que atendia pelo nome de Anatoly Yurevych Moskvin. Moskvin era bastante respeitado nos círculos acadêmicos, como um especialista em cultura Celta, folclore e linguagem, sendo fluente em nada menos do que 13 idiomas. Apesar de sua inteligência, ele também era conhecido pelas suas manias e excentricidades. Moskvin era um recluso, vivendo num grande apartamento que pertencera aos seus pais. Jamais tendo casado, ele dizia se abster de beber, fumar, fazer sexo e da maioria das formas de interação social. Sua vida se resumia a estudar, escrever e consultar sua imensa coleção de livros, documentos e antiguidades. Em retrospecto, qualquer pessoa que prestasse atenção em seu comportamento poderia perceber que havia algo errado, contudo, não é raro que genialidade e loucura andem de mãos dadas. O que importava se o sujeito era um tanto peculiar, se sua acuidade a académica era notável? Por muito tempo ele foi considerado apenas como um acadêmico dado a excentricidades, ninguém poderia imaginar que ele possuía um lado negro que traía sua faceta tranquila.


Desde a infância, o estranho porém  pacato estudioso demonstrava um fascínio quase obsessivo pela morte. Passava horas em cemitérios, apreciando a arquitetura das tumbas, o trabalho artístico das estátuas e a forma dos jazigos. Comparecia a enterros e cortejos fúnebres sempre que possível, acompanhando os parentes chegando a chorar em algumas ocasiões. Por vezes, visitava esses lugares a noite, interessado em deitar sobre os túmulos de pedra. Na quietude da madrugada removida as próprias roupas e permanecia nu sob as estrelas, estirado sobre as tampas de mármore, na companhia da carne morta repousando abaixo dele.

Seu fascínio teria começado quando aos 11 anos ele foi levado pelos pais ao enterro de uma menina que vivia na vizinhança. Os pais o forçaram a beijar o cadáver na testa como uma forma de despedida. Algo naquele ato aparentemente inocente causou uma mudança em sua mente e despertou uma mórbida devoção por tudo relacionado à morte. A lembrança de seus lábios tocando a testa fria da menina o deixavam em um estado de excitação. Moskvin passou a estudar e ler vorazmente tudo que podia encontrar à respeito dos cemitérios em sua cidade natal. Logo ele se converteu em um tipo de autoridade no assunto, chegando ao ponto de conhecer cada rua e cada bloco dos principais cemitérios de sua cidade, bem como quem estava enterrado lá e em que local.

Os outros acadêmicos tinham-no como um sujeito peculiar, mas ainda assim um renomado conhecedor da história local, verdadeira autoridade no que dizia respeito às necrópoles russas. Forneceram a Moskvin uma relação com listas e mapas de mais de 700 cemitérios na região. Ele afirmava estar escrevendo uma tese sobre o assunto e chegou a receber uma bolsa com base em um rascunho.


Pode parecer esquisito que este homem estivesse vagando pelos cemitérios no meio da madrugada, espreitando nas sombras como se fosse um fantasma ou assombração, mas aquele era seu trabalho, e ninguém parecia realmente se importar com a sua presença. Tamanha era sua familiaridade com os cemitérios que lhe permitiram dormir lá dentro e ter chaves que abrissem portões.  

Tudo isso mudaria em meados de 2011, quando os vigias do maior cemitério da cidade fizeram uma horrível descoberta: alguns túmulos de crianças haviam sido profanados nos mesmos cemitérios em que Moskvin era visto frequentemente. Embora nessa época ninguém tenha feito qualquer conexão entre o estudioso e os incidentes, ele jamais foi considerado um suspeito. Afinal de contas era uma pessoa muito respeitada, um professor e acadêmico famoso que realizava um trabalho importante. Ninguém suspeitava dele e dado o seu conhecimento a respeito dos cemitérios, a polícia o procurou para saber na sua opinião que tipo de pessoa poderia ser responsável por aqueles incômodos acontecimentos.

No curso das entrevistas, os investigadores acabaram criando uma crescente suspeita de que Moskvin, sabia mais do que estava dizendo. Um dos detetives acabou fazendo amizade com o professor, ganhando sua confiança e então acesso ao apartamento em que ele residia em total reclusão. Lá descobriu além de livros, documentos e mapas algumas coisas muito estranhas, sobretudo uma vasta coleção de brinquedos novos e antigos, além de roupas para crianças espalhadas pelo quarto. Havia entretanto algo mais... um cheiro ocre dominando o apartamento, a despeito do morador tentar disfarça-lo com velas perfumadas e incenso. O detetive que se amigou de Moskvin passou a desconfiar de um aposento anexo que sempre era mantido trancado quando ele visitava o lugar.


Eventualmente as suspeitas resultaram em um mandato oficial para a revista completa do lugar. Nesta, a porta do aposento trancafiado foi enfim aberta. Lá dentro os policiais estarrecidos se depararam com uma coleção de estranhas bonecas em tamanho natural sentadas em poltronas ou deitadas em camas. Aquilo era muito estranho, e quando perguntado a respeito, o homem começou a balbuciar palavras sem sentido em vários idiomas, como se estivesse prestes a ter um colapso nervoso.

Os policiais só entenderam que estavam diante de um dos casos mais detestáveis da história criminal russa, quando resolveram investigar melhor as bonecas. Descobriram que elas eram na verdade corpos de crianças cuidadosamente mumificados e envolvidos com tiras de pano e gaze. Algumas foram engessadas para permanecer rígidas e não se desmanchar por inteiro. O rosto dos jovens cadáveres fora coberto por estranhas máscaras feitas de porcelana na qual foi desenhada uma face angelical. Eram os numerosos corpos das crianças sepultadas nos cemitérios da cidade, roubados pelo profanador cuja identidade agora se revelava.

No total foram descobertos 29 cadáveres no apartamento, perfeitamente vestidos com roupas e posicionadas como macabras bonecas em tamanho natural. No aposento acharam ainda manequins que serviam para expor as roupas, dois armários repletos de trajes para crianças e manuais sobre como construir bonecas. Na última gaveta de uma cômoda os investigadores acharam medonhos troféus que Moskvin havia subtraído em suas incursões noturnas aos cemitérios: joias, anéis, pedaços de roupa e uma miscelânea de outras coisas, como um ursinho de pelúcia e pequenos sapatinhos de bebê feitos de crochê. Acharam ainda um sortimento de dentes, dedos, orelhas e unhas humanas guardados em caixas e latas. 


Havia ainda muitos registros fotográficos em polaroide mostrando os cadáveres em diferentes momentos de sua preparação. O criminoso dava preferência aos corpos previamente embalsamados, mas aparentemente havia aprendido a extrair órgãos e fluidos quando necessário - conforme evidenciavam livros versando sobre anatomia e necropsia.

Os corpos estavam dispostos em uma espécie de semicírculo, no qual parecia evidente, o profanador se colocava no centro. Ali, naquele meio havia uma cama de armar com cobertores de pele e mantas, alguns manchados com semen.     

A mente degenerada responsável por aquele horrendo festival desmaiou ao ser desmascarada pelos detetives, mas logo em seguida foi reanimado e afirmou estar disposto a cooperar. "Não tenho vergonha do que fiz, essas crianças são minhas e eu escolhi cuidar delas", teria dito enquanto era interrogado. Moskvin só aceitou deixar o apartamento depois que o detetive que havia conquistado sua amizade garantiu que nada seria removido sem a sua autorização.

Na Estação Policial, Moskvin explicou como ele havia realizado seus crimes ao longo de mais de uma década. Contou a respeito de suas técnicas de mumificação, usando uma combinação de sal e bicarbonato de sódio nos corpos. Para preservar os cadáveres e garantir o processo, o professor movia os corpos para outros cemitérios escolhendo lugares secos que ofereciam as condições ideais. Eventualmente os corpos eram preenchidos com bolas de algodão e então envolvidos com faixas de gaze e pedaços de pano para evitar a deterioração. A última etapa era transportar a boneca para o apartamento, usando uma entrada pelos fundos do prédio que só ele tinha acesso. O profanador então escolhia uma roupa e a posição na qual a boneca seria disposta. Em alguns casos, pequenas caixas de música eram colocadas na caixa toráxica das múmias para permitir que elas "cantassem". Moskvin revelou ainda que alguns dos primeiros cadáveres subtraídos haviam sido devolvidos para os cemitérios quando apresentaram deterioração. Isso levou o professor a aprimorar suas técnicas de mumificação até quase a perfeição.


Quando questionado a respeito de seus motivos, o sujeito contou que costumava realizar festas para as bonecas, conversar com elas, dar nomes e até brincar como se estivessem vivas. Os detetives se perguntavam se haveria algum componente erotizante no caso, como ocorre com fetichistas contumazes. Embora os psiquiatras considerassem possível, o prisioneiro negava tal coisa veementemente. Ao ser confrontado a respeito da cama de armar e amostras de semen ele respondeu candidamente: "Eu a uso para dormir e para zelar por elas à noite. Algumas tem medo do escuro". Embora os psiquiatras acreditem que Moskvin extraía de sua conduta algum tipo de gratificação, não ficou claro se era de natureza sexual.

Foi determinado que embora existissem 29 "bonecas" no apartamento, Moskvin era responsável por nada menos do que 150 profanações de sepulturas. Suas vítimas preferenciais eram crianças e adolescentes, mas os ataques visavam também algumas mulheres adultas. O homem justificava suas ações afirmando sentir simpatia pelas meninas mortas, acreditando que seria capaz de devolver a elas a vida por meios sobrenaturais. Ele defendia que as crianças poderiam  ser salvas da morte, trazidas de volta à vida depois que ele cuidasse delas em sua casa por algum tempo. Moskvin de fato acreditava que as crianças falavam com ele e respondiam, dando permissão para que ele agisse daquela maneira. Fazia parte de seu "ritual" beijar a testa de cada "boneca" e sussurrar em seu ouvido palavras de incentivo para que voltassem. Os psiquiatras acreditam que, em sua mente doentia, o sujeito de fato pensava estar ajudando aquelas pobres crianças.

Da mesma forma, ele negava que aquilo fosse um tipo de hobby ou uma perversidade. Embora seu maior desejo fosse alegadamente salvar as crianças, essa explicação não ajudou a confortar as famílias das meninas transformadas em bonecas. A maioria dos pais, que continuavam a prantear suas crianças inocentes não sabiam que estavam visitando covas vazias. É claro, eles reagiram de maneira furiosa ao ultraje sofrido. Com o retorno dos restos mortais e com a localização de cadáveres enterrados em outros lugares, finalmente as famílias puderam devolver suas crianças ao solo. 


Moskvin foi processado por profanar as sepulturas, mas diagnosticado como esquizofrênico foi declarado incapaz de passar por um julgamento. Ele acabou enviado para uma Instituição Psiquiátrica onde permanece até hoje. O chefe do Comitê de Investigação da Federação Russa na região de Nizhny Novgorod, descreveu o caso como excepcional e sem paralelo na literatura policial. 

Os jornais russos apelidaram o criminoso de "Fazedor de Bonecas" e "Senhor das Múmias", expondo cada detalhe da investigação de maneira minuciosa. As circunstâncias chocantes do caso deixaram a população apavorada. A carreira acadêmica de Anatoly Moskvin obviamente foi encerrada depois do ocorrido e sua tese jamais foi publicada ou divulgada, embora alguns teóricos que tiveram acesso ao que ele já havia produzido concordavam que ela era nada menos que brilhante.

O que faz uma pessoa escavar cemitérios em busca de cadáveres humanos? Prepara-los e dispô-los como se fossem bonecas. Que mente distorcida criaria tamanho sacrilégio em nome de um bem maior? Seja lá o que for que motivou a história do "Fazedor de Bonecas", ele se tornou um dos crimes mais absurdos e sinistros de que se tem notícia.















Com a Informação Mundo Tentacular.

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