As pessoas que vivem em uma região remota dos Andes parecem ter a capacidade única de beber um tipo de água com segurança, água essa que mataria qualquer outra pessoa.
A região montanhosa do norte da Argentina foi surpreendida por uma anomalia genética que permite aos habitantes locais beberem a água sem adoecerem.
Ali, o arsênio, presente naturalmente, costuma contaminar o lençol freático, tornando a água normalmente perigosa para a saúde humana e imprópria para consumo.
No entanto, os moradores dos Andes parecem conseguir bebê-la sem problemas.
Acontece que o organismo lhes proporcionou uma adaptação genética que permite que seus corpos metabolizem o arsênico com mais segurança.
A descoberta foi saudada como um exemplo de evolução em ação e demonstra como a vida — e até mesmo os humanos — podem se adaptar a ambientes e condições que, de outra forma, seriam perigosos.
"A adaptação impulsiona mudanças genômicas; no entanto, as evidências de adaptações específicas em humanos ainda são limitadas", escreveram pesquisadores da Universidade de Uppsala.
"Nossos dados mostram que a adaptação para tolerar o arsênico, um agente estressor ambiental, provavelmente levou a um aumento na frequência de variantes protetoras do gene AS3MT, fornecendo a primeira evidência de adaptação humana a uma substância química tóxica."
