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“O que eu fiz não foi por prazer sexual. Na realidade, me trouxe paz de espírito.” (Andrei Chikatilo)
A PERSONALIDADE
Durante os anos 80 até o início dos anos 90, a Rússia vivia um surto de violência sexual seguida de morte envolvendo, principalmente, crianças do sexo feminino. Durante anos, a autoria de crimes brutais passou incólume pela polícia – apesar de todos os esforços investigativos. Dado o desespero das autoridades policiais em encontrar indícios que apontassem para o autor dos crimes em série, o psiquiatra Aleksandr Bukhanovsky, após solicitação policial, descreveu o provável perfil do algoz aos investigadores, incluindo, dentre outras características: a) sofrimento de distúrbios sexuais; b) altura de, no máximo, 1,70 m; c) idade entre 25 a 50 anos; d) calçava número 41 ou acima dessa numeração; e) provavelmente tenha sofrido abuso sexual e, para fins de compensação do trauma, vitimava pessoas com brutalidade; f) imputabilidade; g) sofrimento de dores de cabeça; h) sadismo; i) premeditação delituosa.
Anos após tal relato – e sem que o assassino fosse capturado –, a polícia encomendou a Bukhanovsky um novo laudo traçando o provável perfil do tão procurado criminoso. Dessa vez, após um exaustivo trabalho, o médico incluiu que: a) o homicida possuía total controle sobre suas escolhas e ações; b) era também bastante narcisista; c) possuía um grau exacerbado de arrogância; d) entretanto, não era criativo no modus operandi, apesar de sempre agir premeditadamente. Para não dizer que todos esses traços se amoldavam a Chikatilo, ao menos boa parte deles se encaixavam, perfeitamente, nele. Ocorre que ninguém poderia suspeitar que fosse ele quem aterrorizava o país.
Chikatilo era um pai de família; era casado e possuía dois filhos. Membro de um partido comunista, também lecionava em escolas, além de ser diplomado em artes liberais, literatura russa, engenharia e marxismo-leninismo. Era, para a época, um cidadão erudito. Entretanto, sua vida de “cidadão de bem” travestia a sua conturbada infância. Quando criança, sua mãe Anna mentiu que o seu irmão teria sido sequestrado, morto e canibalizado por vizinhos, durante o período de miséria na Ucrânia em 1930. Isso lhe causou transtornos psicológicos quiçá irreversíveis, pois acabou traumatizando-se pela história. O seu pai Roman, militar russo, acabou sendo aprisionado durante a Segunda Guerra Mundial, deixando a incumbência de criar os filhos somente para Anna – fato esse nunca aceito por Chikatilo.
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Andrei Chikatilo com sua esposa
Desde pequeno, Andrei sofria de uma patologia sexual que lhe deixava permanentemente impotente, cuja explicação, em sua consciência, seria uma castração logo em seu nascituro – o que acabou alimentando suas veleidades e sua sede por vingança. Sempre foi um estudante aplicado e um leitor assíduo, mas sofria muito bullying na escola por ter um jeito peculiar e afeminado; era a diversão de seus colegas. Não possuía nenhum amigo confiável. Fora isso, ainda sofria de enurese noturna (emissão involuntária de urina), que não contava a ninguém e lhe causava muita vergonha.
Na sua adolescência as provocações diminuíram, pois se tornou um jovem forte e alto. Com o passar do tempo foi conquistando cargos escolares que lhe davam prestígio no círculo acadêmico, mas, mesmo assim, não possuía vida social e não conseguia relacionar-se com o sexo oposto. Igualmente, a sua timidez aflorada dificultava a sua carreira de magistério, pois seus alunos ridicularizavam-no e sofria humilhações em sala de aula. O mesmo ocorria com seus colegas de profissão. Apelidaram-no de ganso, dado o seu longo pescoço e a sua postura desajustada. Todas essas angústias acabaram dando o starting para uma longa carreira criminosa.
O ‘MODUS OPERANDI
Andrei Chikatilo era daqueles assassinos em série que gostava deixar a sua marca nas cenas do crime. A sua “assinatura” era desmembrar, com sua boca, os órgãos sexuais de suas vítimas ainda com vida. Na maioria das vezes, posteriormente ao crime, Chikatilo alimentava-se dos genitais. Além disso, costumava dilacerar a língua de suas presas, com seus dentes, para impossibilitá-las de gritar socorro.
Estamos falando de um serial killer que não se satisfazia apenas em matar, senão, também, em ver sofrimento. Muito sofrimento. Para isso, atraía jovens meninas a acompanhá-lo, sem nunca forçá-las a fazê-lo, a locais isolados – normalmente próximos a terminais de trens. A partir daí, virava, como ele mesmo alcunhou-se, um “lobo enlouquecido” e golpeava a sua vítima na cabeça. Com ela desnorteada pela pancada, passava a amarrá-la para imobilizá-la.
Com a vítima imóvel, arrancava a sua língua e, logo após, retirava seus olhos para evitar que fosse observado o seu pífio desempenho sexual. Quando satisfeita a sua lascívia, costumava desmembrar sua presa com vida e perfurava-a dezenas de vezes com uma afiada faca – especialistas entenderam que tais perfurações simulavam, para Chikatilo, penetrações libidinosas.
Gostava de variar o show de torturas. Noutras oportunidades arrancava o nariz, a boca, a orelha, enfim, tudo que possuía “direito”. Quanto maior o sofrimento, maior o seu prazer. Era uma máquina de crueldade e de dor. A adolescente Larisa Tkachenko, por exemplo, ao dar risada da performance sexual de Chikatilo, acabou tendo a garganta, os braços e seus seios roídos viva por Andrei. Imagem a dor que sofrera…
Todas essas práticas foram demonstradas por Andrei às autoridades através de um manequim, a quem simulava suas abordagens, golpes, abusos e mutilações. Fazia questão de deixar claro que realmente desmembrava as suas vítimas. Não por menos que, em um dos seus assassinatos, investigadores do Uzbequistão suspeitavam que o corpo tivesse sido estropiado por uma máquina agrícola. De fato, era uma máquina, mas de matar. Daí o seu apelido de “açougueiro de Rostov”, em alusão à cidade localizada ao sul da Rússia, onde ocorreram os crimes.
Chakatilo também costumava abordar as suas presas dentro de trens, onde assediava crianças ou adolescentes e tentava convencê-las de descer em terminais para conhecê-lo melhor. Quando os jovens não estavam acompanhados por responsáveis, passavam a ter como companhia, para seu infortúnio, um psicopata torturador.
Em virtude da enorme pressão pública sobre as forças policiais para capturar o responsável pelas mortes que ocorriam em Rostov, foi intensificada a vigilância em diversas localidades, sobretudo estações de trem e paradas de ônibus. Chikatilo evitou a captura em diversas ocasiões. Mas, em novembro de 1990, após apresentar comportamento suspeito nas proximidades de uma estação de trem, foi preso e colocado sob vigilância.
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O açougueiro é preso pelas autoridades policiais
O JULGAMENTO
Chikatilo foi levado a julgamento no dia 14 de abril de 1992. A solenidade iniciou com muita tensão. A reação dos pais e parentes das vítimas era chocante. As mães dos jovens que tiveram suas vidas ceifadas ameaçaram o açougueiro de forma incessante. Aos choros, afirmaram que arrancariam os olhos do monstro com as próprias mãos. “Entreguem ele para nós!”, vociferavam os familiares das vítimas, em completo desespero.
As autoridades russas suspeitavam que o comportamento dos familiares das vítimas durante o julgamento seria perturbante, e ordenaram a instalação de uma grade de metal no salão do júri. Durante todo o tempo, Chikatilo permaneceu recluso em uma grade de metal, projetada para sua própria proteção, cercada por guardas armados.
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Chikatilo entrando na “gaiola de ferro”
As sessões se estenderam até agosto do mesmo ano. Chikatilo se apresentou como uma alma atormentada e enlouquecida por sua impotência sexual. Definiu-se como um “aborto da natureza”. Relatou detalhadamente seu comportamento psicótico e descreveu as atrocidades praticadas, causando desmaios na plateia.
Os argumentos da Defesa concentraram-se em questionar a validade da avaliação psiquiátrica realizada antes do julgamento, cuja conclusão fora de que Chikatilo estava apto a ser julgado. Para o advogado, a avaliação havia sido realizada de forma irregular e tendenciosa. Em sua perspectiva, o açougueiro não tinha condições mentais mínimas para ser submetido ao Tribunal do Júri.
O comportamento de Chikatilo durante o julgamento não auxiliou, de qualquer modo, a tese defensiva. O açougueiro ora se mostrava quieto e entediado, ora se portava como um maníaco, cantando, gritando e vociferando palavrões. Em uma das solenidades, chegou ao cúmulo de abaixar suas calças e agitar seus órgãos genitais para todos ali presentes, dizendo:
“Olhem para essa coisa inútil, o que vocês acham que eu poderia fazer com isso?”
Os depoimentos dos psiquiatras arrolados pela Acusação foram determinantes para convencer o júri. Entendeu-se que Chikatilo possuía condições mentais para compreender o caráter criminoso de suas ações. Assim que o juiz deixou o salão do júri, o irmão de uma das vítimas jogou uma barra de ferro em Chikatilo.
Embora o julgamento tenha terminado em agosto de 1992, a sentença foi prolatada somente dois meses depois, em 15 de Outubro de 1992. Chikatilo foi, então, considerado culpado de 52 homicídios e condenado à morte (disposta no art. 20, 2º da Constituição Russa, como castigo excepcional para crimes gravíssimos contra a vida). Ao ouvir a decisão, o açougueiro declarou:
“Quero que meu cérebro seja desmontado pedaço por pedaço, e examinado, de modo que não haja outros como eu”.
A EXECUÇÃO
Chikatilo foi fuzilado com um tiro na nuca em 14 de fevereiro de 1994.
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O açougueiro no corredor da morte, momentos antes de ser executado





Com a Informação Canal Ciências Criminais. 

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