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Muita gente acredita que essa história de expulsar forças malignas do corpo de alguém é o tipo de coisa que só se vê em filmes de terror. Afinal, Hollywood não se cansa de explorar — e capitalizar com — o tema, tendo produzido um sem fim de longas, como “O Exorcismo de Emily Rose”, “O Último Exorcismo”, “O Ritual” e o clássico “O Exorcista”, sendo que muitos deles inclusive vêm acompanhados com o alerta: baseado em uma história real.

No entanto, os rituais de exorcismo são levados muito a sério e vêm sendo realizados há séculos. A ideia de que entidades são capazes de invadir os corpos dos crentes é originária principalmente do judaísmo e cristianismo e, basicamente, o exorcismo é realizado por um sacerdote para expulsar o demônio de uma pessoa, objeto ou local.

Existem outras crenças que aceitam a noção de possessão — especialmente de pessoas — tanto do bem como do mal por determinados períodos de tempo, e isso não tem uma conotação necessariamente negativa. Já o ritual que normalmente vemos retratados em filmes de terror é apenas um dos vários que são conduzidos pela Igreja Católica.

Entre os diferentes tipos estão o exorcismo batismal, realizado para abençoar uma criança antes do batismo para livrá-la do mal resultante do pecado original; o simples, feito para bendizer um local ou objeto e libertá-lo da influência do mal; e o real, que é o praticado em pessoas que estão possuídos por demônios.

Na matéria abaixo falaremos dos principais passos do ritual criados inicialmente em 1614 e redefinidos pela Igreja em 1999.

As etapas para realizar um exorcismo


1. Antes de mais nada, será que um exorcismo é mesmo necessário? Atualmente, o discurso da Igreja é tentar descartar casos de mero problema mental ou fraude. Os padres devem procurar a ajuda de médicos e psicólogos simpáticos à fé católica. Nos EUA, pede-se até que o fiel a ser exorcizado assine um termo de consentimento.

2. Se o problema é realmente espiritual, o padre ainda deve solicitar outra autorização: a do bispo a que está subordinado. Essa é uma das primeiras regras definidas no Rituale Romanum,espécie de manual que padroniza os ritos sagrados da Igreja. Sua seção dedicada à prática do exorcismo foi revisada e reescrita recentemente, em 1999.
 
3. O sacerdote deve se vestir apropriadamente, usando a sobrepeliz (uma veste branca usada por cima da batina propriamente dita) e a estola roxa. A cor simboliza penitência e conversão – só é utilizada normalmente ao longo do ano durante a quaresma e os quatro domingos antes do Natal .

4. A vítima, se for violenta, pode ser amarrada, com o devido cuidado para não machucá-la. O exorcista começa o ritual abençoando-a, primeiro com o sinal da cruz e depois com água benta. Ele também concede essas bênçãos a si mesmo e a todos os outros presentes (familiares e pessoas próximas podem ou não acompanhar o processo).

5. A primeira fase da cerimônia é dedicada a invocar os poderes “do Bem” concedidos à Igreja por Deus, Jesus Cristo e os santos. Para isso, são rezados a chamada Ladainha de Todos os Santos (em que os principais santos recebem o pedido “intercedei por nós”) e o Salmo 53, que pede que Deus salve o fiel de inimigos malignos.

6. Após esse momento o ritual tem início de fato, o sacerdote manda a entidade declarar seu nome e deixar o corpo da pessoa.

7. Em alguns casos o invasor se recusa a deixar a vítima. Segundo exorcistas experientes, cada caso é diferente. Há demônios que soltam gritos assustadores, zombam do exorcista, tentam atacar o padre e outros ao redor ou mesmo que fingem ter partido, deixando até que sua vítima receba a comunhão.

Como sacerdotes católicos se qualificam para a prática

Introdução – Há poucos cursos específicos para essa área na Igreja Católica. Seminaristas não aprendem técnicas de exorcismo em seu currículo normal, embora sejam familiarizados com a doutrina teológica da Igreja sobre a existência e a atuação de Satanás e seus asseclas.

Preparação – Nem todo sacerdote está qualificado para sair por aí combatendo o capeta. Ele tem de obter “distinção em piedade, conhecimento, prudência e integridade de vida”. Católicos leigos não devem se arriscar.

Graduação – Em 2005, a Associação Internacional de Exorcistas, criada por sacerdotes italianos, organizou o primeiro curso de nível universitário na área, em Roma. No currículo, aulas de teologia focada em demônios, medicina, psicologia e sociologia dos cultos satânicos.

Mercado de trabalho – Como seria de imaginar, há uma relativa falta de exorcistas. Para remediar o problema, em 2004 a Congregação para a Doutrina da Fé, um dos órgãos da Igreja, ordenou que cada diocese designasse seu exorcista “oficial”.

O que afirmam os céticos


De acordo com Michael Cuneo, um pesquisador que viajou o mundo e assistiu a mais de 50 rituais de exorcismo, em nenhum deles ele presenciou qualquer evento sobrenatural — como corpos levitando, cabeças girando ou arranhões satânicos aparecendo de repente na pele — ou que não pudesse ser explicado. Segundo disse, na maioria dos casos, os envolvidos (possessos e exorcistas) eram pessoas profundamente perturbadas emocionalmente.

Conforme apontam os céticos, geralmente os exorcismos são praticados em pessoas com fortes convicções religiosas, portanto, existe uma grande discussão com respeito ao fato de que a psicologia e o poder da sugestão têm um importante papel no ritual. Sendo assim, se o afetado estiver convencido de que está possuído e de que o exorcismo vai funcionar, então é provável que funcione mesmo.

Com respeito aos sinais de possessão, os “descrentes” apontam a epilepsia, a síndrome de Tourette e a esquizofrenia como alguns dos possíveis culpados. Como você sabe, a epilepsia provoca crises caracterizadas pelo enrijecimento do corpo, grunhidos, salivação espumosa e revirar de olhos e cabeça.

Já a síndrome de Tourette provoca o movimento involuntário de algumas partes do corpo e a exteriorização verbal, frequentemente na forma de palavras obscenas. Por último, a esquizofrenia está associada ao surgimento de alucinações visuais e auditivas, paranoia, distanciamento da realidade e comportamento violento. Esses sintomas todos parecem familiares?

Controvérsias

Existem vários perigos associados à crença sobre a possessão demoníaca — e à interpretação equivocada de um sintoma que não tem nada de sobrenatural. Um exemplo disso é o caso de um garoto de 8 anos de idade que sofria de autismo e acabou falecendo durante um ritual de exorcismo por que os membros de sua congregação acreditavam que o demônio era o culpado por sua condição.

Outro caso conhecido foi o de uma freira na Romênia que morreu depois de ser presa a uma cruz, amordaçada e deixada durante vários dias sem comida ou água em um esforço para expulsar os demônios que habitavam seu corpo. A pobre mulher tinha apenas 23 anos e provavelmente sofria de esquizofrenia. Além disso, no Natal de 2010, um garoto britânico de 14 anos foi espancado e afogado por familiares que tentavam exorcizar espíritos malignos.








Com a Informação SuperInteressante e MegaCurioso.

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