Ideologia de espécie ganha adeptos no Brasil.


Vestindo-se de gato, cachorro ou outros animais, elas dizem não ser humanos. Esse movimento começa a despontar no Brasil.
O performer e designer de acessórios “Raio Gama”, 30 anos, passa a maior parte do tempo como uma máscara de  cachorro. Ele afirmou ao portal UOL que sempre se sentiu um ‘deslocado’ na sociedade, mas desde março de 2017, incorporou o rosto  de um doberman.
Desde então declara-se transespécie. “É uma experiência social constante que fala muito sobre quem sou eu de verdade”, insiste. Indivíduos como ele dizem sentir-se desconfortáveis com sua condição humana. Para Gama, a escolha de viver como um cão também é uma expressão artística e social. “É a vivência de ser um híbrido, um corpo estranho para a sociedade”, explica.
O produtor cultural Heitor Werneck, criador da festa fetichista Luxúria na capital paulista, diz que transespécie é somente o novo nome para uma prática que já existe há décadas. “É uma identificação de gênero, de estilo, que Ney Matogrosso e Boy George já fizeram. Eles tinham uma estética que não existia, que misturava várias referências não necessariamente humanas. É ter um outro tipo de orientação ou identidade. Vai além de qualquer dualidade que temos hoje”, avalia.
Talvez por isso a condição já é chamada de “ideologia de espécie” no exterior. Gama explica que o dog play é um dos formatos das relações do BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), onde uma pessoa age como o cachorro de outra.
Ele levou isso mais adiante, adotando-o como um estilo de vida. “Eu comecei a ver o quão cachorro eu gostaria de ser na minha vida, quanto disso fazia parte da minha personalidade”, conta. “Eu durmo, como, passo o dia inteiro com a máscara. Só tiro para tomar banho”, assegura ele.
O performer vai ao mercado e faz parte de seus afazeres cotidianos com a cara de pelúcia. Enquanto ouve piadas do adultos é bem tratado pelas crianças. “Eles pedem para fazer carinho, perguntam se sou o lobisomem ou o que como”, comenta.

Alienígena

Outro exemplo de transespécie é a artista pernambucana Ana Giselle, 22 anos. Ela assumiu o nome de  TransÄlien e também utiliza máscaras no dia a dia. Diz não se identificar com a sua forma humana, sentido-se uma alienígena.
“Sempre fui a mais estranha do meu círculo social. Não teve uma época da minha vida que eu não conheci a violência e a discriminação, então este mundo não faz sentido para mim”, conta a artista que hoje vive em São Paulo. Passou a usar diferentes acessórios e máscaras para confrontar a normatividade.  “Nem sei quantas são, nunca parei para contar porque sempre estão me presenteando com novas”, conta rindo.
Nem Gama nem a TransÄlien pensam em fazer intervenção cirúrgica para modificarem o corpo. “Não temos tecnologia para isso”, afirma Raio. A alienígena Ana diz que pretende continuar explorar as possibilidade de ser vista como um ser de outros planetas. “Eu não quero ter nada definitivo”.










Com a Informação Gospel Prime.

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