A consultora BMI Research alertou hoje que a crise migratória devido ao colapso econômico da Venezuela pode afetar a estabilidade social dos países vizinhos, como o Brasil e a Colômbia, nos próximos meses.

Num relatório, a BMI Research refere que cerca de 5.000 migrantes estão a sair todos os dias da Venezuela devido à crise econômica, estimando-se que o país perca 1,8 milhões de pessoas ao longo de 2018, o que corresponde a 5% da população, engrossando o número de deslocados que o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados calcula atualmente em 1,5 milhões.

O impacto deste fluxo migratório está a ser sentido nos países vizinhos, em especial na Colômbia e no Brasil, e deve agrava-se nos próximos meses, estimam os analistas da unidade de "research" da Fitch.

No Brasil, os pedidos de estatuto de refugiado passaram de 40 em 2015 para 22.000 em 2017 e atingiram já os 20.000 até abril deste ano, estando a emigração de venezuelanos a concentrar-se essencialmente na fronteira norte de Roraima.

Em abril, a governadora do estado de Roraima entrou com uma ação judicial no Supremo Tribunal Federal para pedir o encerramento da fronteira e solicitar apoios adicionais, justificados com a sobrecarga dos serviços sociais e o aumento da criminalidade.

Nas regiões brasileiras que têm sentido maior afluxo migratório crescem as preocupações com empregos, recursos e segurança e os militares brasileiros têm estado a trabalhar com as Nações Unidas para organizar a resposta governamental, construindo campos para os refugiados, distribuindo ajuda humanitária e, mais recentemente, transportando venezuelanos para outros estados além de Roraima.

Os analistas salientam que o Brasil está "mal posicionado" para disponibilizar recursos significativos para apoiar esta vaga de refugiados, o que pode fazer com que a emigração venezuelana, que ainda não se tornou uma questão política a nível nacional, se venha a tornar um assunto mais premente.

Na Colômbia, que terá atualmente entre 600 mil e um milhão de venezuelanos no seu território, o fluxo massivo de emigrantes (cerca de 4.000 por dia) já se tornou um tema político, com muitos colombianos a sentir-se ameaçados pelos emigrantes que aceitam trabalhar por salários mais baixos e enchem as escolas, hospitais e abrigos, registando-se uma subida da violência e perseguições contra venezuelanos.

A BMI Research acredita que os emigrantes vão continuar a chegar à medida que a economia venezuelana se degrada, alertando para riscos significativos para a estabilidade social na Colômbia nos próximos meses.

A emigração venezuelana tem afetado igualmente outros países da região incluindo Equador, Chile e as ilhas caribenhas e está a ter também um impacto negativo na Venezuela, devido ao êxodo de trabalhadores, sobretudo os mais qualificados.

Segundo o relatório, a fuga dos venezuelanos mais jovens e qualificados, que têm melhores condições para sair do país e ajudar a sustentar os seus familiares mais idosos, está a reduzir a dimensão e competências da força de trabalho venezuelana, acelerando o declínio do PIB, com riscos crescentes para o setor do petróleo, como é o caso da empresa petrolífera estatal PdVSA, cujo número de trabalhadores tem vindo a diminuir.

A emigração massiva de venezuelanos está associada à profunda retração econômica em que mergulhou o país, provocando ruturas no abastecimento de alimentos e do 'stock' de medicamentos, hiperinflação e aumento drástico do número de doenças infecciosas.




Com a Informação Diário de Notícias.

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