Após a legalização do casamento gay na Austrália, teve início uma campanha no país, comandada pelo partido liberal para regularizar a chamada lei antidiscriminação. Caso seja aprovada, passarão a ser puníveis todas as entidades que deixarem de contratar ou demitirem pessoas por causa de sua opção sexual.
Isso coloca contra a parede as instituições religiosas que possuem código de conduta. Ou seja, se um hospital ou ONG pertencente a uma igreja oferecerem uma vaga de emprego para qualquer função, não poderiam deixar de contratar uma pessoa LGBT mesmo que ela não subscreva aos valores da instituição.
A Igreja Hillsong está liderando a iniciativa que inclui algumas das organizações cristãs mais importantes da Austrália para solicitar ao governo que eles sejam isentos dessa lei, inclusive no caso de contratar e demitir empregados.
“Nunca precisamos proteger nossa liberdade religiosa antes, mas agora parecer ser diferente”, explicou Patrick Parkinson, professor de direito na Universidade de Sydney e membro do conselho da Freedom for Faith, um grupo político que apresentou uma proposta de lei de liberdade religiosa que corrigiria as falhas da lei andiscriminação.
Os cristãos australianos estão preocupados se continuarão podendo defender suas crenças sem serem penalizados por isso. Parkinson disse que, na esteira da garantia legal dos direitos requeridos pelos LGBT, começou uma “campanha persistente para remover isenções religiosas e instituir a lei antidiscriminação”.
Em termos práticos, os mesmos que reclamavam de serem discriminados por suas opções querem criminalizar quem não subscreve à sua agenda.
Essa parece ser uma agenda global, pois países como Estados Unidos e Canadá enfrentaram o mesmo tipo de problema, onde instituições religiosas não puderam contrariar esse tipo de legislação liberal que proíbe, por exemplo, que um empresário cristão se negue a prestar serviço para um casal gay ou seja obrigado a pagar por abortos como parte do plano de saúde os empregados.
A Igreja Católica e a Diocese Anglicana da Austrália são dois outros grupos influentes ​​que se juntaram a Hillsong para endossar o pedido ao governo. Parkinson afirma que sua proposta não busca “reverter os direitos legais daqueles que se identificam como LGBT”, nem procuram “privilégios especiais” para pessoas de fé. Eles simplesmente desejam que os cristãos possam conduzir suas relações de emprego com liberdade.
“A questão mais importante é proteger o direito das instituições religiosas estabelecerem quando e quais questões de conduta pessoal são incompatíveis com os valores da organização empregadora”, disse Parkison. Ele usa como exemplo uma escola confessional que possui critérios para a contratação de professores, visando proteger justamente seu aspecto confessional. Pela nova lei, ela não poderia estabelecer como condição que o candidato a qualquer cargo defendesse o casamento tradicional ou não fosse um ateu, por exemplo. “Realmente não tem sentido se chamar de escola cristã se o único que precisa ser cristão é o diretor da escola e o professor de religião”, aponta.
Outra possibilidade aventada é a perda do direito dos pais em escolher se os filhos devem participar de programas escolares que não concordem com seus valores.
O ponto mais sensível é o direito das igrejas se negarem a realizar cerimônias de casamento homoafetivo. Ainda que já existam denominações que o fazem, a lei antidiscriminação poderia fazer com que o pastor ou padre que se negasse a formalizar a união no templo fosse denunciado e, consequentemente, multado ou preso.
Brian Houston, pastor de Hillsong, deixou claro que as crenças sobre os ensinamentos da Bíblia sobre o casamento não mudaram apesar da mudança na lei sobre o casamento no país e pede que o governo leve em consideração que 40% da população se opunha à proposição. “A liberdade de religião é uma parte fundamental de uma sociedade democrática e deve ser mantida. Qualquer tentativa de forçar os cristãos a comprometer sua fé seria errada”, encerrou. 





Com informações The Guardian e Christian Post.

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