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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) leva “muito a sério” as campanhas russas de desinformação, incluindo a denunciada pela Espanha por conta da crise na Catalunha, afirmou o secretário-geral, Jens Stoltenberg, de visita a Madri.
Em reunião com a ministra espanhola da Defesa, María Dolores de Cospedal, “discutimos sobre os relatórios que vimos de tentativas da Rússia de interferir em muitos países, incluindo relatos na Catalunha”, disse Stoltenberg em coletiva de imprensa.
“Houve um aumento significativo das tentativas de interferir através de diferentes meios em crises políticas locais, e seu volume e complexidade aumentaram”, acrescentou Stoltenberg.
“Qualquer interferência do exterior é inaceitável”, afirmou. “Levamos isso muito a sério e é uma das razões pelas quais a Otan reforçou sua ciberdefesa”, acrescentou.
A Rússia tem enfrentado acusações de interferência através de desinformação e notícias falsas em casos como o do referendo sobre o Brexit e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.
O governo espanhol denunciou em novembro manipulações e notícias falsas na internet sobre a crise separatista na Catalunha provenientes principalmente do território russo, embora também da Venezuela, com o objetivo de criar instabilidade na Europa.
Madri não acusou diretamente o governo de Vladimir Putin.
Um relatório do Instituto Espanhol de Estudos Estratégicos, dependente do Ministério da Defesa, divulgado no início de janeiro, afirmou que “o Kremlin está aproveitando a situação catalã para criar instabilidade”.
Para isso, emprega “uma política destinada a gerar confusão nas redes sociais, em uma linha similar à utilizada para influenciar nas recentes eleições nos Estados Unidos”, indicou o texto, que adverte que a “estratégia pode se repetir no futuro em outros Estados europeus”.
Em novembro, o Kremlin tachou as suspeitas da Espanha como “infundadas”.
No ano passado, os países da Otan autorizaram o recurso a táticas de ciberguerra como parte do reforço de sua “dissuasão” diante da Rússia.
Sobre o tema do desafio independentista na Catalunha, Stoltenberg alegou que era um assunto interno, embora tenha afirmado que “uma Espanha forte e unida é boa para a Otan”.
Stoltenberg agradeceu o anúncio da Espanha de que aumentará em 73% o seu gasto militar nos próximos anos, embora ainda não chegue aos 2% do PIB que os membros da Aliança se comprometeram em 2014 a alcançar em uma década.
“Estimulo que continuem por esse caminho”, disse Stoltenberg, que foi recebido nesta quinta pelo rei da Espanha, Felipe VI, e pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy.




Com a Informação AFP.

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