Quando o sacerdote Gregory Greiten admitiu ser homossexual durante sua homilia no último domingo, uma fiel levantou-se do banco e gritou: “Deus te abençoe, padre!”. Ele conta que, dentro de minutos toda a congregação da paróquia de Santa Bernadete, no estado americano do Milwaukee, o estava aplaudindo, muitos de pé.
Após o apoio que diz ter recebido dos fiéis, Greiten escreveu um longo texto sobre o assunto para a revista National Catholic Reporter, uma das mais influentes dos EUA.
“Hoje, eu rompo o silêncio e me livro dos grilhões de vergonha colocados sobre mim desde a juventude. Há muito para falar sobre esse assunto, reparar e curar – muito além dos limites das palavras impressas: eu sou gay”, disse ele no texto/confissão.
Segundo Greiten, que é padre há 25 anos, a Igreja Católica “escolheu a lei o silêncio”, pois “finge que os sacerdotes gays… realmente não existem”. Ele insiste que “faltam modelos autênticos de sacerdotes saudáveis, bem equilibrados, homossexuais e celibatários para servir de exemplo para aqueles católicos jovens e velhos que estão lutando para entender sua orientação sexual”.
Como reafirmou seu compromisso de continuar celibatário, Greiten diz que isso o torna diferente com os sacerdotes gays de denominações teologicamente liberais, que permitem até pastores que vivem com companheiros do mesmo sexo.
Entre vários argumentos, o padre se diz aliviado por não precisar mais “fingir ser algo diferente do que realmente é”. Defendeu também que, em sua opinião, todos os sacerdotes homossexuais poderiam gastar “Toda essa energia psicológica, emocional e espiritual para construir nossas comunidades de fé. Só posso imaginar aquele dia em nossa igreja quando seremos aceitos como aquilo que Deus nos criou para ser, sem temer que possamos ser demitidos do ministério por isso”.
Provavelmente a porção mais polêmica do texto é quando ele escreve: “Como sacerdote da Igreja Católica Romana, gostaria de me desculpar pessoalmente com meus irmãos e irmãs LGBT por ter permanecido em silêncio até agora diante das ações contrárias e da inércia da minha comunidade de fé em relação aos membros da comunidade LGBT. Eu prometo a vocês que serei autenticamente gay. Abraçarei a pessoa que Deus me criou para ser. Na minha vida e no ministério sacerdotal, vou ajudá-lo, seja você gay ou heterossexual, bissexual ou transgênero, para desenvolver o seu eu autêntico – viver plenamente a sua imagem e semelhança de Deus. Ao refletirmos nossas imagens divinas no mundo, ele será um lugar mais brilhante e mais tolerante”.
Outro aspecto que chama atenção é que o caso de Greiten foi explorado pela imprensa. Ele deu várias entrevistas.
Surpreendentemente, o arcebispo de Milwaukee, Jerome Listecki, disse que está apoiando a postura do padre. Em um comunicado oficial, assegurou: “Nós apoiamos o padre Greiten em sua jornada pessoal seu desejo de contar sua história para entender como viver com sua orientação sexual. Como a Igreja ensina, aqueles que sentem atração pelo mesmo sexo devem ser tratados com compreensão e compaixão. Assim como os sacerdotes que fizeram um compromisso de celibato, sabemos que todas as semanas há pessoas sentados nos bancos de nossas igrejas que lutam com a questão da homossexualidade”.


Com informações The Blaze.

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