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Um levantamento realizado pela Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, durante seis meses catalogou os serviços mais populares do Tor, navegador que leva à chamada deep web - parte escondida da internet que não é rastreada. A partir do anonimato, usuários criam sites com a extensão .onion, que oferece serviços e produtos ilícitos.

A rede Tor (iniciais de The Onion Router), gratuita, permite que uma pessoa se conecte anonimamente à internet, sem revelar sua identidade ou localização, ao redirecionar a conexão por uma série de computadores e aplicar criptografia às mensagens trocadas nela.

O anonimato oferecido pela rede estimula muitos usuários a criar sites com a extensão .onion que oferecem serviços e produtos ilícitos.

Liderada por Gareth Owen, da Universidade de Portsmouth (Grã-Bretanha), a pesquisa estabeleceu servidores para se conectar à Tor e visitar os sites para baixar conteúdo em HTML para categorizá-lo e monitorar as visitas que eles recebiam.

O tráfego a serviços ocultos na Tor representam cerca de 1,5% de todos os dados processados pela rede em um dia aleatório.

Ao longo dos seis meses da pesquisa, Owen e seus colegas viram cerca de 80 mil sites ocultos na Tor.

"A maioria dos serviços escondidos nós vimos apenas uma vez", disse ele durante apresentação em um congresso de telecomunicações realizado recentemente em Hanover (Alemanha). "Eles tendem a não existir por muito tempo."

Os 40 principais serviços ocultos estavam relacionados ao controle de botnets - redes de computadores caseiros comprometidos por programas maliciosos. Muitos desses botnets foram fechados, o que fazia com que computadores clientes ficassem buscando, sem sucesso, por sistemas de comando já desativados.

O estudo de Owen identificou que o maior número de serviços ocultos era dedicado à venda de drogas ilícitas, seguido por outros tipos de trocas de mercadorias ilegais, sites de fraudes, serviços de e-mail e trocas da moeda virtual bitcoin.

Pedofilia gera o maior tráfego na Deep Web

Ainda que o número de sites relacionados a imagens de abusos sexuais seja pequeno na Tor, o tráfego que eles atraíam era muito maior do que o de outras páginas, afirmou Owen.

Cerca de 75% do tráfego observado pelo estudo culminou em páginas mostrando abusos.

"Ficamos abismados com essa descoberta", disse o pesquisador. "Não era o que esperávamos, de forma alguma."


Apesar das descobertas, Owen afirmou que os dados não permitem conclusões aprofundadas, já que ele não sabe quantas visitas eram feitas por pessoas reais e quantas eram feitas por sistemas automatizados.

"Não é algo tão direto quanto parece. Pode parecer que há muita gente visitando essas páginas, mas é difícil concluir isso a partir das informações (do estudo)", explicou.

"Quantos (acessos) são pessoas e quantos são algo diferente (máquinas)? Simplesmente não sabemos", ele acrescentou, agregando que técnicas usadas por agências policiais para monitorar sites de abuso também podem ser responsáveis pelo fluxo constante de tráfego.

Roger Dingledine, um dos desenvolvedores iniciais da Tor, afirmou que a metodologia do estudo - que apenas escaneou sites de vida longa para saber que tipo de conteúdo ofereciam - torna difícil extrair conclusões sobre o que os usuários fazem dentro da rede.

"Sem saber quantos sites desapareceram antes que ele pudesse analisá-los, é impossível saber qual porcentagem de buscas foram para sites de abuso", afirmou Dingledine.

"Há usos importantes para serviços ocultos, como quando ativistas de direitos humanos os utilizam para acessar o Facebook ou postar anonimamente em blogs. Esses serviços são novos e têm grande potencial."



BBC Brasil e Olhar Digital.

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