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Ao longo dos séculos a história sempre esteve cheia de registros que comprovam o temor que o ser humano tem do chamado "sobrenatural". Há cultos e cerimônias em todas as partes do mundo para louvar e agradecer às bençãos dadas pelo "ser supremo", que recebe nomes variados, mas que no final acaba sendo um só.

No entanto, não é só o bem a parte conhecida dessa história. Pelo sim, pelo não, muitas tradições incluem em suas celebrações referências e até o culto do mal, para que ele seja conhecido pelas pessoas e para que, ao ser lembrado, não haja de maneira vil sobre a comunidade.
Uma das histórias mais curiosas sobre essa crença é a chamada "herdeiro das trevas" que trata sobre a criação da Bíblia do diabo. Dizem que o livro data do século 13 e foi feito na região onde hoje é a República Tcheca. Aliás, a parte mais chocante sobre essa lenda (não dá para falar se foi verdade ou não, frente aos fatos mirabolantes que você vai conhecer já, já) é que a tal Bíblia foi confeccionada por um monge!
Conforme é contado, apesar de se dedicar à igreja, o autor do tal livro teria cometido um crime imperdoável e, por isso, foi condenado à morte por seus superiores. Sua punição seria, simplesmente, ser emparedado vivo em um quarto do mosteiro.
No entanto, para escapar da morte, o homem pensou rápido e pediu para as autoridades do lugar lhe darem a chance de se redimir, se em uma noite ele não tivesse copiado à mão uma encadernação inteira da Bíblia Sagrada e de outros livros, eles podiam, no dia seguinte, executar sua punição.

Como a tal façanha seria mesmo humanamente impossível, levando em consideração que não haviam tecnologias disponíveis na época e que tudo era feito com tinta, penas, pergaminhos e à luz de velas, os superiores toparam a proposta. Acontece, no entanto, que o monge infrator havia bolado um plano que ninguém desconfiou, ele fez um pacto com o diabo e, em troca do livro pronto pela manhã, o diabo ficou com a alma do homem e a promessa de que na Bíblia fosse incluso um retrato enorme e assustador de sua figura.

No final das contas, o sacerdote foi perdoado e o volume ficou conhecido como "Codex Gigas", "livro gigante", ou A Bíblia do diabo. Ele é considerado o maior manuscrito medieval que se tem notícia e conta com 90 centímetros de altura, mais de 50 centímetros de largura, 20 centímetros de espessura e pesa mais de 75 quilos. Além disso, suas páginas são feitas de couro de vitela (bezerrinho) e de asno, onde estão inscritos o novo e o velho testamentos, assim como um calendário, textos médicos e uma antiga enciclopédia, além do misterioso retrato do capeta.

Mas, sobre essa história, não só a fabricação do livro, deixa as pessoas "com a pulga atrás de orelha". O fato de muitas de suas páginas terem sido arrancadas intriga bastante. Somado à isso, existem ainda evidências de que, durante os seus vários séculos, o Codex Gigas mudou de mãos várias vezes e até sobreviveu à alguns danos irreparáveis como um incêndio.

Para aumentar ainda o "drama" com relação a Bíblia do diabo, estudiosos garantem também que todo o trabalho, pelo menos aparentemente foi realmente feito por um só homem, mas acreditam que tenha levado pelo menos 20 anos para ser concluído. Inclusive, há uma pequena dedicatório no livro que diz "Hermanus Inclusus" ou "Herman, o recluso". Para os pesquisadores, essa pode ser uma pista do monge que o escreveu e de seu castigo de reclusão permanente, ao invés de ser emparedado, como contam.

Para os curiosos de plantão, hoje em dia a Bíblia do diabo fica na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo.


 

Com a Informação Dailymotion.

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