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O mês passado foi o julho mais quente em quase 140 anos desde que os registros começaram a ser compilados, revelou o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA.O serviço russo da Rádio Sputnik discutiu isso com o Professor Myles Allen do Departamento de Física Planetária, Atmosférica e Oceânica da Universidade de Oxford.
Segundo a agência, a temperatura média global foi quase um grau Celsius superior à média de julho entre 1951 e 1980.
O estudo da NASA comparou o mês passado com o mesmo período de 2016, os nomeando como os dois meses de julho mais quentes do registro moderno. A agência adicionou que todos os meses de julho anteriores foram mais frescos em pelo menos um décimo de grau.
Quando ao especialista foi perguntado sobre o impacto que o fenômeno natural pode causar sobre a temperatura média global nos próximos anos, este disse que atualmente as temperaturas globais estão sendo influenciadas, de forma esmagadora, pela atividade humana sobre o planeta.
"São gases estufa que estão fazendo isso", disse o professor. 
Respondendo à pergunta como a superfície da Terra pode mudar por causa do aquecimento global, Allen apontou o elevado risco de acontecimentos significativos relacionados com a temperatura, como a onda de calor mortal na Rússia em 2010.
"A probabilidade de ondas de calor dessa natureza está crescendo porque a influência humana sobre o planeta é grande, apesar de em algumas áreas elas poderem reduzir o risco de ondas de frio, que são igualmente perigosas. As condições meteorológicas estão mudando, em algumas partes do mundo essas mudanças são para melhor, em outras são para pior. As atividades econômicas, a agricultura em particular, estão ajustadas para o clima que tínhamos 150 anos atrás, então, se estivermos caminhando em direção a um novo clima, elas terão dificuldades para se ajustar", continua Myles Allen.
Falando sobre as chances de desastres naturais causados pelo aquecimento global, que vão aumentar no futuro, e com que tipos de catástrofes as pessoas precisam ter cuidado, Allen frisou o risco de ondas de calor e chuvas fortes assolarem a Rússia. Isso inclui regiões que não estão acostumadas a esses fenômenos.
Isso é particularmente um problema no Reino Unido, onde as chuvas fortes causam muitos problemas. No entanto, tais condições meteorológicas extremas têm um efeito mais dramático nos países tropicais, que não estão bem preparados para lidar com desastres relacionados com o planeta", observou Allen.
"Está ficando cada vez mais claro que é a influência humana sobre o planeta que está causando o dano", disse o professor.
Ele acrescentou que agora alguns países estão considerando exigir compensações pelos danos causados pelos gases de efeito estufa.
As revelações do relatório da NASA ocorrem quando o aquecimento global do mês passado causou que um enorme iceberg se separasse da plataforma de gelo Larsen, no litoral leste da Península Antártica, mudando drasticamente a paisagem da região.
A área do iceberg é de cerca de 5.800 quilômetros quadrados, o que é comparável ao tamanho do País de Gales e é quase o dobro do tamanho do Luxemburgo.
De acordo com o chefe do programa climático no World Wildlife Fund (WWF) na Rússia, Alexei Kokorin, a separação do iceberg gigante foi facilitada pelo aquecimento do oceano Antártico. Ele argumentou que a plataforma de gelo foi afastada por águas oceânicas vindas do fundo.

Sputnik.

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