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A manchete de um dos principais jornais turcos defensores do governo, o Yeni Söz, defende que Erdogan poderia conquistar a Europa em três dias se uma campanha militar fosse lançada.
Apoiando-se nas previsões de especialistas, segundo os quais a Turquia se tornaria uma superpotência militar, o jornal afirmou que a Turquia já era “o país mais poderoso do mundo”.
A avaliação de que os turcos poderiam retomar sua ofensiva militar nos moldes do antigo Império Otomano vem sendo apresentada há anos por George Friedman, fundador da Stratfor, uma das principais empresas de consultoria e inteligência global.
Ele fornece análises e previsões geopolíticas a organizações em todo o mundo e coloca o presidente da Turquia como um líder ambicioso, capaz de mobilizar não só os moradores do seu país, mas os milhões de imigrantes turcos espalhados pela Europa. Somente na Alemanha são cerca de 5 milhões deles.
Friedman disse que os turcos podem vencer os alemães numa tarde e os franceses, se eles tiverem coragem de aparecer, em uma hora. Mas Friedman está errado. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Internacional de Pesquisa Gallup, a maioria dos europeus já estão com as bandeiras brancas prontas para acenar em caso de guerra.
Uma pesquisa recente perguntou a pessoas de 60 nações: Você lutaria por seu país?’. Os índices mostram que na Alemanha, apenas 18% dizem estar dispostos a defender sua pátria. Vinte e nove por cento dos franceses, 21 por cento do espanhóis e 20 por cento dos italianos disseram que lutariam, lembra o diário turco.
O editorial conclui sarcasticamente: “Então, de acordo com esses resultados, se partimos para uma conquista pela manhã, podemos fazer as orações da noite no Palácio de Bellevue! [Residência oficial do Presidente da Alemanha]”. “E entraríamos em Roma na manhã do segundo dia”, acrescentou o diário.
A ideia de uma invasão turca sobre a Europa não é tão absurda assim, se levar-se em conta as ameaças que Erdogan vem fazendo nos últimos meses, em especial contra seus vizinhos da Grécia, país que no passado já foi invadido pelos Otomanos.
Em março, o Ministro das Relações Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu afirmou em entrevista que em breve “vão começar Guerras Santas na Europa”, embora não tenha dado detalhes sobre como isso irá ocorrer.

Líder islâmico mundial

Os discursos de Erdogan e suas decisões recentes deixam claro a sua intenção de restaurar o Império Otomano, onde um califa governava boa parte do Oriente Médio, incluindo Israel.
O uso da expressão “guerra santa” remete a ideia da jihad islâmica, que motiva há séculos as mortes em nome da sua religião.
No início do ano, Erdogan disse em discurso que a Europa começou uma “cruzada” contra o islã. Ele reclamou da decisão do Tribunal Europeu de permitir que empresas proíbam o uso do véu islâmico em horário laboral.
“Começaram uma cruzada, não há outra explicação. A Europa se acerca dos tempos de antes da Segunda Guerra Mundial”, disse o líder turco em um evento na cidade de Sakarya.
Mais uma vez a escolha de palavras remete a um período de muito sangue derramado em nome da religião islâmica. As cruzadas foram movimentos militares anti-islâmicos que duraram séculos e geraram milhares de mortos.
Islâmico praticante, Erdogan tenta se consolidar como o maior líder muçulmano do mundo. Seu discurso e de seus ministros mostra que a retórica religiosa da Idade Média parece ter voltado de vez.


Gospel Prime.

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