13:48:00
0

O que estaria causando essa emissão de raios-X em Plutão? Os cientistas ainda não decifraram esse enigma...

Mesmo sendo considerado um planeta-anão, Plutão se torna grande quando o assunto é "interesse científico". E mesmo após o encontro com a sonda New Horizons, realizado em julho de 2015, muitos mistérios continuam deixando os astrônomos com a pulga atrás da orelha...

Os dados obtidos pela sonda New Horizons continuam sendo analisados, e recentemente têm revelado um novo mistério. Um estudo feito por uma equipe de astrônomos, publicado na revista Icarus, indicou que uma pesquisa do Observatório de raios-X Chandra revelou a presença de intensas emissões de raios-X provenientes de Plutão. Isso pegou todos os cientistas "de calças curtas", pois achava-se que já tínhamos conhecimento suficiente sobre a atmosfera de Plutão e sua interação com o vento solar.
O estudo foi conduzido por astrônomos do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (JHUAPL), do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, do Southwest Research Institute (SwI), do Centro Espacial Vikram Sarabhai (VSCC), do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e do Centro de Pesquisa Ames.

Plutão fotografado em 14 de julho de 2015, quando a sonda New Horizons estava a 18.000 km de sua superfície.
A área de 380 km registrada na imagem mostra montanhas de até 3.500 metros de altura.
Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI         /         Clique na imagem para ampliar.

O que está causando a emissão de raios-X em Plutão?

Muitos objetos do Sistema Solar emitem raios-X por conta da interação com o vento solar e outros gases (como o nitrogênio e o argônio). Vênus e Marte possuem argônio e nitrogênio em suas atmosferas, assim como outros corpos menores, como cometas.

Quando a sonda New Horizons se encontrou com Plutão, os cientistas perceberam que sua atmosfera muda de tamanho e densidade de acordo com as estações. Basicamente, quando o planeta-anão atinge o periélio (máxima aproximação com o Sol), sua atmosfera se torna mais densa por conta do derretimento do nitrogênio e do metano congelado em sua superfície.

A última vez que Plutão atingiu o periélio foi em 5 de setembro de 1989, o que significa que ainda está no verão. A sonda New Horizons detectou uma atmosfera composta principalmente por nitrogênio gasoso, metano e dióxido de carbono. Os astrônomos então decidiram procurar por sinais de raios-X provenientes de sua atmosfera usando o Observatório de raios-X Chandra.

Ilustração artística da sonda New Horizons durante seu encontro com Plutão e sua lua Caronte.
Créditos: NASA / JHU APL / SwRI / Steve Gribben.

Antes de enviar uma sonda para Plutão, os astrônomos acreditavam que sua atmosfera fosse bastante estendida, mas eles estavam errados - a atmosfera de Plutão é bem mais compactada, e sua taxa de perda é bem menor do que os modelos previam. Agora, o novo estudo consultou os dados do espectrômetro de Imagem Avançado do Chandra, e descobriu que as emissões de raios-X de Plutão são muito maiores do que sua física permitiria.

Em alguns casos, foram observadas emissões de raios-X em outros objetos menores do Sistema Solar, devido à dispersão de raios-X solares por pequenos grãos de poeira compostos por carbono, nitrogênio e oxigênio, mas essa explicação não é consistente com os raios-X emitidos por Plutão.

Outra possibilidade discutida pela equipe diz que os raios-X podem ocorrer devido a algum processo que concentre o vento solar perto de Plutão, o que aumentaria os efeitos em sua tênue atmosfera.

té agora, a verdadeira causa das emissões de raios-X de Plutão permanece um mistério. Segundo os cientistas, mais pesquisas devem ser feitas, não somente em Plutão, como também em outros objetos menores do Cinturão de Kuiper (KBOs) para que talvez possamos entender o que estaria causando as emissões de raios-X. Felizmente, os dados obtidos pela sonda New Horizons fornecerão material suficiente para décadas de estudo, e quem sabe, mais pra frente, os astrônomos não encontrem a peça que está faltando nesse quebra-cabeças...



Galeria do Meteorito.

0 comentários :

Postar um comentário