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Não está 100% claro qual foi exatamente o míssil lançado pela Coreia do Norte, mas o mais recente teste balístico conduzido por Pyongyang tende a ter consequências, sobretudo pela possibilidade da arma poder ser um temido míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês).

O governo russo avaliou que o teste balístico envolveu um míssil de médio alcance, e não um ICBM. Contudo, analistas de outros países dizem que os dados disponíveis até o momento podem significar o contrário – como o regime de Kim Jong-un informou, dizendo que o país pode atacar “qualquer parte do planeta”.

Especialistas suspeitam que o míssil teria potencial para atingir o estado americano do Alasca, o que seria uma clara ameaça aos Estados Unidos. Uma reunião de emergência nesta quarta-feira irá discutir todos os dados disponíveis sobre o teste, a fim de determinar do que se tratou o teste balístico.

Se confirmado que se trata mesmo de um ICBM, a Coreia do Norte seria o sexto país do mundo a ter tal armamento, ao lado de EUA, Rússia, China, Índia e Israel.

O que são mísseis intercontinentais?

Mísseis balísticos intercontinentais são projéteis que podem percorrer grandes distâncias – geralmente acima dos 5.500 quilômetros –, ultrapassando o espaço da atmosfera terrestre para alcançar o seu alvo, habitualmente localizado em outro continente.

Sabe que Pyongyang já possui testes bem sucedidos com mísseis de alcance intermediário (IRBM) e com mísseis de médio alcance (MRBM). Nestes dois casos, análises demonstraram que os norte-coreanos poderiam acoplar ogivas nucleares nesses mesmos mísseis.

Para Jeffrey Lewis, diretor do Programa de Não-Proliferação da Ásia Oriental do Instituto de Estudos Internacionais Middlebury, no estado americano da Califórnia, os elementos que já se conhecem sobre os testes apontam para um míssil intercontinental, o Hwasong-14. Foi o que ele escreveu em sua conta no Twitter.

Consequências

Os que defendem uma ação militar dos Estados Unidos e seus aliados contra Pyongyang sempre encararam a presença de um ICBM no arsenal norte-coreano como a peça que faltava para uma intervenção, sob pena de correr o risco de um ataque preventivo ordenado por Kim Jong-un, que teria consequências catastróficas.

Ao mesmo tempo, as mesmas consequências seriam sentidas em caso de um ataque como o protagonizado pelos EUA contra a Síria, em abril deste ano. Todavia, ao contrário de Damasco, Pyongyang tem poder de fogo para causar grandes estragos, como já reconheceu o ministro de Defesa norte-americano James Mattis.

Em comum, todos os países envolvidos e a comunidade internacional insistem que o melhor caminho para lidar com a crise na Península Coreana é o diálogo. Contudo, enquanto Washington e Seul só aceitam conversar se Pyongyang congelar o seu programa nuclear e balístico, a Coreia do Norte exige o fim dos exercícios conjuntos entre seus inimigos e o fim dos embargos e demais pressões para cogitar a possibilidade de negociação.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, declarou que o lançamento demonstrou que “o perigo aumentou”. Já o presidente sul-coreano Moon Jae-in alertou para o fato da Coreia do Norte estar próxima de “cruzar a ponte sem volta”. Pequim e Moscou defenderam uma moratória para os norte-coreanos após o lançamento.

A China, aliás, forneceu o caminhão que, se antes transportava madeira na Coreia do Norte, agora transportou um possível ICBM do país vizinho. Para a comunidade internacional, as relações antigas entre Pequim e Pyongyang precisam ser ainda mais exploradas, a fim de trazer Kim Jong-un para a mesa de negociação.

Por ora, espera-se que os norte-coreanos lancem o seu Hwasong-14 periodicamente, a fim de pressionar os EUA. O presidente norte-americano Donald Trump havia garantido que Pyongyang não conseguiria desenvolver tal arma durante o seu governo, mas o prazo parece estar acabando.



Sputnik.

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