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Os porto-riquenhos que votaram neste domingo em um plebiscito marcado pela abstenção e boicotado pela oposição opinaram a favor da anexação aos Estados Unidos, um resultado que o governador prometeu defender nos fóruns internacionais.
Cerca de 2,2 milhões de eleitores foram convocados para escolher entre a anexação, a independência ou por manter o status quo em um prebiscito não vinculante para Washington.
A anexação ganhou com folga, com 502.605 votos (97,2%), segundo informações da Comissão Estatal de Eleições (CEE) às 00H26 GMT (21H26 horário de Brasília).
No entanto, a participação, com 99,4% das urnas apuradas, foi de 23%.
Esses resultados eram previsíveis considerado o boicote dos partidos Independentista Porto-riquenho (PIP) e Popular Democrático (PPD), que consideraram a consulta "uma farsa".
Mas com a divulgação dos resultados cerca de 500 pessoas opostas à realização do plebiscito se reuniram em frente à CEE e queimaram bandeiras americanas, cantando "fogo, fogo, os ianques querem fogo".
Convocados por organizações de esquerda, repudiaram o "centenário da imposição da cidadania norte-americana" aos porto-riquenhos e os 118 anos de "dominação colonial".
O governador de Porto Rico, Ricardo Rousselló Nevares anunciou, após votar pela anexação plena aos Estados Unidos, que defenderá nos fóruns mundiais o resultado do plebiscito.
"Recorreremos aos fóruns internacionais para defender a importância de que Porto Rico seja o primeiro estado hispânico dos Estados Unidos", disse o político, acompanhado de sua esposa Beatriz Areizaga García no município de Guaynabo, a oeste de San Juan.
O presidente do anexionista Partido Novo Progressista (PNP) manifestou que seu governo lutará "em Washington e no mundo inteiro" para conseguir a anexação.
Mas seus opositores prometeram combater as iniciativas e afirmaram que, com tal índice de abstenção, Roselló Navares e a anexação saíram derrotados na realidade.
Porto Rico é uma ilha do Caribe que os Estados Unidos tomaram da Espanha em 1898. Em 1952, Washington conferiu à ilha o estatuto de "Estado livre associado", o que lhe dá alguns direitos nos Estados Unidos, como a cidadania e liberdade de trânsito, além de alguma autonomia.
Porto Rico atravessa há uma década uma grave crise econômica. A ilha vivia das grandes empresas atraídas por isenções fiscais, mas esses benefícios foram abolidos em 2006, dando início à queda livre.
Hoje, 46% dos seus 3,5 milhões de habitantes vivem na pobreza. A ilha está dizimada por uma dívida de mais de 70 bilhões de dólares que não pode honrar e no mês passado caiu na maior falência de uma entidade americana.
Washington passou a supervisionar suas finanças, mas não mostra vontade de resgatar Porto Rico, entre outras coisas, porque não é propriamente um estado da União.
Michelle Sierra, partidária da plena anexação de Porto Rico, afirma que optou pela "anexação porque merecemos um futuro melhor e os meus filhos merecem um futuro melhor".
"Nós, como povo, precisamos dessa injeção (econômica) como outros estados" para lidar com a crise fiscal, acrescentou.
Sob o status atual, os porto-riquenhos são cidadãos americanos, mas não podem votar em eleições presidenciais, a menos que residam no continente.
O povo da ilha pode entrar e deixar livremente os Estados Unidos e as duas economias estão intimamente ligadas.
Mas os porto-riquenhos são representados no Congresso por apenas um comissário com voz, mas sem voto; e Washington tem a última palavra em assuntos de seus territórios.
No último referendo em 2012, a maioria dos eleitores disse estar descontente com o status atual. Mas desde então nada mudou e Rossello fez uma nova tentativa a favor da anexação.


AFP.

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