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CARLA GUIMARÃES - GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - Agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Rio Verde (a 220 km de Goiânia) mataram a tiros dois cavalos encontrados às margens do km 388 da BR-060, no perímetro urbano da cidade.
A ação foi acompanhada por cerca de 50 pessoas e algumas delas postaram vídeos em redes sociais, que têm gerado polêmica. A ação dos dois policiais, cujos nomes não foram revelados, está sendo investigada.
As mortes ocorreram por volta das 7h do dia 24 de maio, num lote anexo a um posto de combustíveis da cidade.
Um funcionário do restaurante que existe no local afirmou que, quando o carro da polícia passou na BR, os cavalos estavam à margem da rodovia e que, em seguida, os policiais pararam e conduziram os animais até o pátio do posto.
No local, os policiais atiraram nos animais e, pouco tempo depois, uma máquina da prefeitura retirou os dois cavalos mortos do local. Na avaliação dele, que não quis ter o nome revelado, não havia necessidade de atirar e as pessoas que presenciaram as cenas disseram isso aos policiais.
Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia de Rio Verde. Os dois agentes foram ouvidos e relataram, segundo a Polícia Civil, que foram acionados mais de uma vez pelo telefone 191 por pessoas que passaram pelo local, avisando que havia dois cavalos trafegando na pista, num horário de trânsito intenso.
Os agentes disseram no depoimento que tentaram por duas vezes retirar os animais da pista e que conseguiram levá-los para um lote mais longe da rodovia.
Afirmaram ainda que tentaram identificar o proprietário dos animais, mas não conseguiram, que Rio Verde não conta com local para recolher animais e não havia lugar próximo para deixá-los. Também, ainda conforme eles, não havia como amarrá-los.
Por isso, decidiram atirar nos animais para evitar que voltassem à pista e provocassem acidente.
Segundo a Polícia Civil, até esta quarta-feira (8) o proprietário dos animais não apareceu. O inquérito sobre o caso será encaminhado ainda nesta quarta, para a Polícia Federal de Jataí, que passará a conduzir as investigações.
INVESTIGAÇÃO
O Ministério Público Federal informou por meio de nota que instaurou inquérito civil com o objetivo de apurar possível ocorrência de abuso e irregularidades na conduta dos policiais.
Conforme a nota, o procurador da República que atua no caso, Jorge Medeiros, questiona se a morte dos cavalos teria sido a única forma possível de se evitar acidentes na rodovia, com o agravante de os tiros terem sido disparados em perímetro urbano.
A Polícia Rodoviária Federal em Goiás abriu processo administrativo disciplinar, com prazo de 60 dias, renováveis por mais 60, para apurar o caso.
O inspetor Jander Costa, do núcleo de comunicação da PRF, informou que o objetivo é tentar dar suporte para o policial. "Não é objetivo nosso sacrificar animal algum, causar danos ao ambiente, comoções... Pelo contrário, somos polícia de pacificação, mas infelizmente há momentos em que há pouco tempo para decidir o que fazer. Nem sempre é a melhor medida a ser tomada, mas tem que fazer, não pode ser omisso."
Segundo o inspetor, o órgão pretende firmar novas parcerias e convênios, para que esse tipo de situação seja resolvido.
Ele disse que a malha rodoviária de Goiás é de 5.000 quilômetros e só 10% são cobertos por empresas que fazem o recolhimento dos animais.
ACIDENTES
Conforme dados da PRF, em 2016 foram registrados no país 2.618 acidentes envolvendo animais em rodovias federais, que resultaram em 1.812 feridos e 90 mortos.
A recomendação é que o usuário que identifique um animal solto às margens da rodovia ligue para a polícia, reduza a velocidade e evitar buzinar, para não assustá-lo.

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