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Inquisição
Giordano Bruno: um injustiçado pela Igreja
Seu temperamento cético e paixão pelo livre pensamento foram os responsáveis por trazer muitos desentendimentos. Por Layse Ventura.

Retrato de Giordano Bruno publicado no 'Livre du recteur', de 1578 (Fonte: Wikimedia)

Quanto tempo é necessário para julgar um revolucionário? No caso do filósofo e teólogo italiano Giordano Bruno, foram necessários sete anos para a Igreja Católica decidir condená-lo a morte na fogueira.

Giordano Bruno nasceu em 1548, em Napóles, na Itália. Seu nome de batismo era Filippo e adotou o nome de Giordano quando ingressou para a Ordem Dominicana, no monastério de San Domenico Maggiore, em Nápoles. O nome Giordano vem de seu tutor de metafísica, Giordano Crispo. Lá, estudou profundamente a filosofia de Aristóteles e de São Tomás de Aquino.

Seu temperamento cético e paixão pelo livre pensamento foram os responsáveis por causar muitos desentendimentos. Já em 1576, cerca de dez anos após ter sido condecorado frade, Bruno é obrigado a abandonar o hábito. Uma cópia dos escritos proibidos de Erasmus foi encontrada com suas anotações pessoais.

Bruno, então, deixa Nápoles e inicia uma peregrinação por diversas cidades da Europa: Gênova, Toulouse, Paris e Londres. Em 1585, Bruno retorna à “cidade das luzes”, viajando em seguida para Marburg, Wittenberg, Praga, Helmstedt e Frankfurt.

Em todos os lugares por onde viajou, Bruno gozou de proteção de patronos poderosos. Em sua primeira viagem para Paris, ele publica vários de seus trabalhos sobre memória (On the shadows ideas, 1582; The Art of Memory, 1582; Circe’s Song; 1582).

É por conta deste trabalho com a mnemotécnica, arte de desenvolver a memória, que Bruno é convidado pelo patrício Giovanni Mocenigo para morar em Veneza. Acreditando que a Inquisição tinha perdido sua força, Bruno se muda para Veneza em março de 1592.

Giordano permanece por dois meses na casa de Mocenigo até anunciar sua intenção de partir. Como já estava desapontado com as aulas de memorização e tinha desenvolvido certa raiva, Mocenigo denuncia Bruno para a Inquisição Veneziana.

Bruno é preso no dia 22 de maio do mesmo ano sob acusações de blasfêmia, heresia, conduta imoral, entre outras. Ele próprio se defende no tribunal, usando a oratória e retórica clássicas para negar, retrucar ou admitir as acusações.

Após meses de querela com a Inquisição Romana, as autoridades venezianas decidem por transferir Bruno para Roma em fevereiro de 1593. Ele permanece sete anos em julgamento e aprisionado até ser condenado à morte na fogueira com pregos na língua para parar de blasfemar.

Alguns historiadores afirmam que Bruno não foi condenado por defender o sistema heliocêntrico de Copérnico, nem por acreditar na pluralidade de planetas habitados. Sua sentença de morte teria sido emitida por suas crenças religiosas de que Cristo não era Deus, mas apenas um mago habilidoso, de que o Espírito Santo seria a alma do mundo, entre outras.

A cosmologia de Giordano Bruno

Apesar de ser defensor do humanismo, corrente filosófica do Renascimento, Bruno não vangloria os clássicos antigos. Ao contrário, Bruno ataca constantemente os pensamentos e teorias de filósofos da Antiguidade, como Aristóteles.

Os verdadeiros ícones inspiradores do pensamento de Bruno foram o filósofo Nicolau de Cusa, Nicolau Copérnico e Giovanni Battista della Porta. A partir das ideias destes pensadores, Bruno desenvolve seu conceito de cosmologia.

Para Bruno, o universo é infinito e constituído por uma infinidade de estrelas e planetas, nos quais, assim como na Terra, existiria vida inteligente. O modelo de Copérnico de um universo centrado no sol também fazia parte da teoria de Bruno.

Tempo e espaço eram duas medidas tomadas como infinitas. Neste contexto, não existia lugar para as noções estáticas cristãs de criação divina e último julgamento.



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