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Os militares norte-coreanos dispararam, nesta quarta-feira (05/04), novamente um projétil que caiu no mar entre a Península Coreana e o Japão. Identificado inicialmente como um míssil balístico de médio alcance e posteriormente como um míssil Scud de curto alcance, pelas autoridades americanas, o foguete percorreu cerca de 60 quilômetros.
A Coreia do Norte parece continuar a não se perturbar pelas ameaças de Washington. Em meados de março, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse, durante visita à Coreia do Sul, que a "política da paciência estratégica" de Barack Obama acabou e que todas as opções "estão sobre a mesa". Mesmo um ataque militar também não estaria descartado.
Também o anúncio do presidente americano Donald Trump, em uma entrevista ao Financial Times, de que os EUA resolveriam a questão da Coreia do Norte sozinhos, se a China não cooperar, parece não tirar a tranquilidade de Pyongyang. Talvez o lançamento do foguete seja também uma mensagem a Xi Jinping, que se reúne com Trump nesta quinta-feira na Flórida, no sentido de advertir: "Seja lá o que vocês discutirem, a Coreia do Norte não vai sair de seu curso."
Coreia do Sul e Japão responderam ao teste de míssil como de costume. Seul convocou seu Conselho de Segurança Nacional e colocou o Exército em estado de alerta máximo. O Japão condenou severamente o lançamento. O Departamento de Estado americano declarou: "Os Estados Unidos já deram amplas declarações sobre a Coreia do Norte e não há nada a acrescentar."
As declarações da Casa Branca no governo Trump aumentam na Coreia do Sul o temor de um confronto militar. Alguns as interpretam como um sinal de que o presidente dos Estados Unidos não vê outra maneira de convencer a Coreia do Norte a desistir, senão pela força militar.
"Na Coreia do Sul, há muitas pessoas que temem que o presidente Trump possa arriscar um primeiro ataque contra a Coreia do Norte", avisa Song Young Chae, cientista político da Universidade Sangmyung, em Seul. Mas um primeiro ataque que não neutralize todas as armas da Coreia do Norte provavelmente teria como consequência um ataque de Pyongyang à Coreia do Sul. "E isso é preocupante", destaca.
Peritos militares lembram as características geográficas da Coreia do Norte, com suas muitas montanhas, que oferecem excelentes possibilidades para se esconder e abrigar mísseis e outras armas. Além disso, a Coreia do Norte tem um Exército de cerca de um milhão de soldados e armazéns bem abastecidos com armas químicas e biológicas.
A artilharia norte-coreana está perto da fronteira, a apenas 50 quilômetros de Seul. Segundo um estudo do think tank americano Stratfor, publicado em janeiro de 2017, um primeiro ataque provocaria a destruição parcial da cidade de dez milhões de habitantes.
"Seul seria sacrificada", alerta o ativista de direitos humanos Robert Park. "Sem dúvida, seria principalmente a população civil que sofreria. Por isso, o governo sul-coreano deve ir contra esses planos irresponsáveis e contraproducentes, de forma firme e inequívoca", reivindica.
Outros não veem a situação de forma tão grave. Embora a situação esteja tensa, muitos sul-coreanos acreditam que, a médio prazo, vai prevalecer a linha mais moderada. "Os sul-coreanos têm uma alta tolerância em relação à retórica vinda do Norte. E isso tem judado o Sul", diz Sokeel Park, diretora da ONG Liberdade para a Coreia do Norte. "O que é novo agora é que os EUA estão seguindo uma retórica similar. Mas eu ainda não tenho visto a população de Seul ir às compras de estoques", ironiza.



DW.

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