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Em 28 de fevereiro, Seul assinou um contrato com a corporação Lotte para a implementação do sistema antimíssil THAAD. Na edição chinesa Xiakedao apareceu um material em que os autores não excluem a possibilidade de ruptura de relações diplomáticas entre Pequim e Seul por causa da instalação desse sistema.
A Sputnik China falou com Da Zhigan, chefe do Centro de Pesquisa do Nordeste Asiático da Academia de Ciências Sociais da província de Heilongjiang.
"A questão da instalação do THAAD é um assunto doloroso para a China. É um problema difícil de resolver que diz respeito a toda região. Surge a pergunta lógica: será que o Japão também instalará o sistema de defesa antimíssil, e se a cooperação entre EUA, Coreia do Sul e Japão aumentará nesta área", explica Da Zhigan.
A partir de 1992, quando entre a China e a Coreia do Sul foram estabelecidas relações diplomáticas, a interação entre ambos os países estava se desenvolvendo aceleradamente: na área do comércio, economia, política, cultura e turismo. Mas durante a presidência de Park Geun-hye (2013-2016) vários acontecimentos perturbaram as relações entre Seul e Pequim, e a decisão de colocar o sistema THAAD (tomada em 8 de julho de 2016) foi um deles.
Da Zhigan frisa que a maioria dos chineses condena a Coreia do Sul. Isto pode provocar um "boicote" por parte do povo chinês, por exemplo, não seguir a moda sul-coreana, não viajar até lá, não comprar mercadorias feitas lá, etc. Seul pode aguentar este protesto popular, assegura o especialista chinês, mas na área da economia a situação será muito pior. Os representantes do ramo econômico sul-coreano por certo poderão lamentar a decisão do seu país sobre THAAD.
"Se China brigar com Coreia do Sul, se eles romperem as relações diplomáticas, provocando assim uma situação grave na região, e se houver uma cooperação mais intensa entre os EUA, Japão e Coreia do Sul na área da defesa antimíssil, o problema principal já não será apenas um passo atrás nas relações entre Seul e Pequim", adverte o especialista.
No entanto, ele afirma que até o THAAD ser instalado existe a possibilidade de diminuir a tensão. O fator decisivo neste assunto será a capacidade de a Coreia do Sul levar em consideração a questão da segurança na região e os interesses do seu povo.
Contudo, outro especialista, entrevistado pela Sputnik Coreia, não vê possibilidades de que atuais autoridades sul-coreanas possam chegar a um acordo com a China.
A China está firme no seu ponto de vista de que por meio da instalação do THAAD está sendo realizada a criação de uma aliança trilateral EUA-Coreia do Sul-Japão, apesar de Seul assegurar que estes processos não estão relacionados.
"As partes têm uma visão completamente oposta sobre o assunto e, em vez de chegar a um acordo, se enfrentam com animosidade por causa da instalação do sistema de defesa antimíssil", sublinha Kim Jaecheol, professor de relações internacionais na Universidade Católica da Coreia.
O professor pressupõe que China também se possa aproveitar da questão da instalação do THAAD nas negociações com os EUA, complicando assim as condições da Coreia do Sul.
"Em troca da sua adesão às sanções contra a Coreia do Norte, Pequim pode propor aos EUA que estes revejam a decisão sobre implementação do sistema de defesa antimíssil na Coreia do Sul", opina Kim Jaecheol.
Em conclusão, o professor destaca que se a aliança trilateral EUA-Coreia do Sul-Japão se for consolidando, o diálogo estratégico entre Pequim e Seul será impossível.







Sputnik.

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