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O governo da China advertiu a Índia nesta sexta-feira de que a visita do Dalai Lama em abril ao estado indiano de Arunaachal Pradesh, cuja soberania é disputada entre os dois países desde os anos 1950, poderia provocar "grande prejuízo" nas relações bilaterais.

"A China se opõe firmemente à visita do Dalai Lama aos territórios disputados (na região do Himalaia e no extremo nordeste de Índia)", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, em entrevista coletiva.

"A posição da China sobre a região leste da fronteira entre China e Índia é clara", acrescentou o porta-voz, ao insistir que a visita provocaria "grande prejuízo" para a paz e a estabilidade de suas relações bilaterais.

Para Geng, o histórico líder espiritual do budismo está há algum tempo envolvido em atividades separatistas contra a China, e a Índia tem conhecimento da "seriedade e sensibilidade" desta questão.

"A Índia deve se abster de realizar ações que compliquem mais a situação e evitem chegar a uma plataforma de diálogo", sentenciou o porta-voz chinês.

Um porta-voz do líder budista tibetano, Tenzin Taklha, disse hoje à Agência Efe em Nova Délhi que o Dalai Lama visitará Arunachal Pradesh na "primeira semana de abril".

A viagem surgiu por um "convite" do chefe do governo de Arunachal Pradesh, Pema Khandu, segundo o porta-voz do líder tibetano, que ressaltou que não haverá mudança de planos como consequência das pressões de Pequim sobre Nova Délhi.

"Os protestos da China não são assunto nosso", frisou Taklha.

A China também não viu com bons olhos a visita do Dalai Lama à vizinha Mongólia no final do ano passado, apesar de o líder budista tibetano não ter sido recebido pelo governo deste país e só ter realizado atividades religiosas e não políticas.

A soberania sobre a região de Arunachal Pradesh, na região do Himalaia e no extremo nordeste de Índia, é reivindicada por ambos os países desde praticamente a criação do estado indiano, e acabou resultando uma breve guerra entre os dois gigantes asiáticos em 1962. 







EFE.

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