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O recém-nomeado secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, continua sua visita aos aliados no nordeste da Ásia e, em 2 de fevereiro de 2017, ele visitou a Coreia do Sul.
O principal tema de sua visita foi a colocação do sistema antimísseis THAAD no país, que, como se acredita, deverá defender a Coreia do Sul e o Japão da ameaça de mísseis da Coreia do Norte. Mattis prometeu ao ministro da Defesa Nacional sul-coreano, Han Min-koo, "uma defesa alargada usando toda a gama de capacidades dos EUA".
A instalação do complexo THAAD na Coreia causou uma forte reação por parte da Rússia e da China. Os países concordaram, em consultas bilaterais, as contramedidas à instalação da defesa antimísseis e declararam sua "firme rejeição" desta decisão, porque o complexo THAAD na Coreia pode ser usado inclusive contra a Rússia e a China.
A declaração conjunta da Rússia e da China também contém um apelo a "demostrar contenção para evitar ações que possam levar a uma escalada de tensão". Além disso, a instalação do THAAD, bem como outras atividades norte-americanas e coreanas, tais como exercícios militares em larga escala, talvez realmente levem a uma escalada da tensão e empurrem a RPDC, se não diretamente para uma guerra, pelo menos para o desenvolvimento acelerado de seu potencial militar.
Em termos de capacidades técnicas, o THAAD é uma proteção muito convencional contra um ataque de mísseis. Em primeiro lugar, o sistema foi testado apenas para interceptar mísseis obsoletos de médio alcance R-17 (Scud-B). Enquanto isso, a Coreia do Norte tem mísseis melhores, e, muito provavelmente, já terá um míssil balístico intercontinental capaz de atingir o território dos EUA. Será que o sistema de defesa antimísseis será capaz de interceptá-los? É uma questão discutível.
Em segundo lugar, o complexo de defesa antimísseis planejado ser colocado na Coreia do Sul só tem um total de 48 mísseis em cada bateria. Está previsto implantar cinco baterias, ou seja, até 240 mísseis. Entretanto, o Exército Popular Coreano tem em serviço cerca de 600 unidades de Hwaseong-6 (uma versão atualizada do Scud-B), sem contar com mísseis de outras modificações. O número total de mísseis Hwaseong e Rodong pode chegar a 1.000. Segundo a opinião do colunista da Sputnik Coreia, isto significa que, em caso de guerra, a Coreia do Norte pode produzir uma salva de mísseis tão grande que o THAAD poderá interceptar apenas uma pequena parte dos mísseis lançados. Na verdade, perante a possibilidade de lançamento de várias centenas de mísseis, a Coreia do Sul ficará praticamente indefesa, mesmo se o THAAD estiver em estado de alerta.
Em terceiro lugar, a RPDC tem muitas outras capacidades para atingir alvos no território da Coreia do Sul, em particular, Seul, incluindo peças de artilharia, como obuseiros de longo alcance Koksan e os sistemas de lançamento múltiplo de foguetes de longo alcance até 190 km. Estes meios permitem provocar grandes danos na capital, mesmo sem recorrer a armas nucleares. Contra eles o THAAD é inútil, e a Coreia do Sul não tem outros meios de defesa.
Em quarto lugar, como acha o colunista, não devemos subestimar o potencial da Coreia do Norte no desenvolvimento de métodos de guerra não tradicionais. Por exemplo, em novembro de 2016, o Norte começou uma campanha misteriosa para recolha de papel-alumínio. Ela causou uma série de comentários irônicos, embora não haja nada de engraçado nisso. As tiras de papel-alumínio são uma forma de enganar radares inimigos muito conhecida desde a Segunda Guerra Mundial. Todo o sistema de acompanhamento de lançamentos de mísseis do sistema de defesa antimísseis dos EUA, em particular, do THAAD, é baseado em radares, bem como o sistema de inteligência em geral. O uso maciço de papel-alumínio no início da guerra irá entupir esses radares com falsos alvos e inutiliza-los por algum tempo.
Além deste meio simples e barato, a salva de mísseis da RPDC poderá conter mísseis funcionando como falsos alvos. Após o THAAD gastar seus mísseis, se seguirá uma nova salva, desta vez com ogivas, incluindo nucleares.
Assim, é bastante óbvio que o THAAD não poderá defender todos os ataques do Coreia do Norte. Parece que o verdadeiro objetivo deste sistema de defesa não é a proteção da Coreia do Sul, mas a proteção de instalações militares norte-americanas na região, na Coreia do Sul, mas especialmente no Japão.
Além disso, esta proteção só faz sentido para rechaçar um ataque de resposta, ou seja, em caso de tentativas para destruir as armas estratégicas dos EUA na região. Se começar um conflito militar em larga escala envolvendo armas nucleares, os primeiros alvos serão os locais de baseamento de vetores nucleares.
No âmbito da estratégia dos EUA para uma guerra nuclear, ainda desde os tempos do presidente Harry Truman, sempre se previu obter a possibilidade de realizar um primeiro ataque sem retaliação. Disso decorre este forte interesse dos EUA por sistemas de defesa antimísseis em geral e nesta região em particular. Tendo instalado um "guarda-chuva" de defesa antimísseis para suas forças nucleares na Coreia e no Japão, em seguida, os norte-americanos, sem dúvida, irão começar chantageando com ataques nucleares a China e a Rússia, e outros países da região que não sejam aliados dos americanos. Tudo isso é bastante óbvio, e é por isso que a Rússia e a China se opõem fortemente ao THAAD na Coreia do Sul. Depois da instalação do sistema de defesa antimísseis, na Coreia do Sul começará se sentindo o cheiro a uma guerra nuclear.





Sputnik.

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