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Um surto de febre amarela matou mais de 600 macacos e dezenas de pessoas na Mata Atlântica, ameaçando a sobrevivência de raros primatas sul-americanos, afirmou um zoólogo nesta quarta-feira.
Os macacos, principalmente bugios e titis mascarados, estão caindo das árvores e morrendo no chão das florestas no Estado de Espírito Santo.
"O número de macacos mortos aumenta a cada dia", disse o zoólogo Sergio Lucena sobre o impacto da propagação da doença em seu Estado. "Agora sabemos que o raro sagui-da-serra-claro também está ameaçado pelo vírus da febre amarela e morrendo."
Os sons dos bugios parecem-se muito com grunhidos ou latidos. Foi o silêncio que caiu sobre as florestas que primeiro alertou os agricultores de que algo estava errado, levando especialistas a investigar.
O titi mascarado é considerado como "vulnerável" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) baseada na Suíça, que o colocou na sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.
Até agora, não surgiram provas se a doença está afligindo o macaco-aranha, considerado um dos mais ameaçados do mundo pela UICN.
O pior surto de febre amarela no Brasil em décadas já matou pelo menos 69 humanos, quase todos em Minas Gerais, onde os problemas começaram.
A maioria das pessoas se recupera da febre amarela após a primeira fase da infecção, que geralmente envolve febre, dor de cabeça, arrepios, perda de apetite e náuseas ou vômitos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.
Milhões de brasileiros foram vacinados enquanto as autoridades sanitárias tentam evitar que o surto se transforme em uma epidemia. Não há proteção disponível para macacos.
A febre amarela é uma doença viral encontrada em regiões tropicais da África e das Américas que afeta principalmente seres humanos e macacos e é transmitida pelo mesmo tipo de mosquito que espalha a dengue e o vírus Zika.
Centenas de milhares de pessoas morreram da doença nas Américas antes que uma vacina fosse desenvolvida em 1938.
Autoridades federais de saúde do Brasil estão investigando se o surto atual está relacionado ao colapso de uma barragem de rejeitos no ano passado em Minas Gerais, na mina de minério de ferro da Samarco, uma joint venture da BHP Billiton, e Vale.
O acidente da barragem, que poluiu o Rio Doce, é considerado o pior desastre ambiental do país.
Alguns cientistas disseram que a calamidade pode ter tornado os macacos mais suscetíveis a contrair a febre amarela, dizimando seu habitat e suprimentos de alimentos.







Reuters.

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