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O governo russo advertiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse estar em "desacordo" com a frase de Trump de que o Irã é o "Estado terrorista número um" do mundo.  

"Os Estados Unidos e a Rússia têm posições diferentes sobre algumas questões internacionais, mas isso não deve impedir os nossos esforços para o desenvolvimento das relações. Mas, não estamos de acordo com essa afirmação", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (6).  

O questionamento feito por jornalistas a Peskov foi uma referência a uma entrevista divulgada pela "Fox News" na noite deste domingo (5). Nela, Trump afirmou que Teerã "não respeita o nosso país absolutamente" e acusou o governo de "fornecer dinheiro para armamentos" para terroristas.  

"Todos vocês sabem que a Rússia tem boas relações com o Irã e que cooperamos em um certo número de questões. Estamos felizes pelo nosso relacionamento nas esferas do comércio e da economia e esperamos desenvolvê-las ainda mais", acrescentou Peskov.  

Uma dessas "parcerias" entre russos e iranianos está em andamento hoje em Astana, na capital do Cazaquistão, onde os dois países, mais a Turquia e as Nações Unidas, estão tentando encontrar uma via diplomática para por fim à guerra civil na Síria. Os EUA não foram convidados para as conversas de maneira oficial e tem apenas observadores no caso.  

Quem também reforçou a importância do Irã foi o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, que está no Cazaquistão.  

"O Irã nunca teve ligações com o Isis [Estado Islâmico] ou com o al Nusra [Frente al Nusra, braço da Al Qaeda] e sempre contribuiu com a luta contra o Estado Islâmico. Há muito tempo que nós lutamos por uma criação de um genuína frente global contra o terrorismo e estou convicto de que, se avaliarmos sem preconceitos os potenciais membros desta coalizção, o Irã deve fazer parte de nossos esforços comuns", acrescentou Lavrov.  

No entanto, o clima de tensão entre as duas nações continua alto desde que Trump incluiu o Irã na polêmica lista de "banimento" de imigrantes e refugiados e anunciou novas sanções contra o país.  

Como resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Bahram Qasemi, anunciou que divulgará "em breve" uma lista com o nome de "pessoas e instituições norte-americanas que forneceram ajuda aos terroristas Takfiri [uma das vertentes do islamismo radical], incluindo o Isis" e serão adotadas sanções.  

"Nós adotamos medidas especiais contra os atos desleais e incorretos da administração dos Estados Unidos. A nossa lista está em sua fase final", acrescentou Qasemi em coletiva nesta segunda.  

O decreto assinado por Trump proíbe a entrada nos EUA nos próximos 90 dias de cidadãos do Iêmen, Irã, Síria, Líbia, Somália, Iraque e Sudão, nações de maioria muçulmana. Além disso, a entrada de refugiados no país foi proibida por 120 dias e de refugiados sírios, indeterminadamente. - Jogadores: A tensão entre os dois governos atingiu também o esporte. Dois jogadores norte-americanos, Joseph Jones e J.P. Prince, estão "presos" em Dubai, informou seu agente, Eric Fleisher.  

Os dois jogam no liga iraniana de basquete, mas não podem retornar ao país por causa do banimento da entrada de norte-americanos no Irã - uma resposta de Teerã ao decreto de Trump.  

"Eles ainda estão esperando em Dubai e esperando se há como eles mudarem seus status e voltar para o Irã. Então, eles poderão finalizar a temporada, mas agora tudo está muito confuso", disse Fleisher.







ANSA.

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