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Os abusos sexuais de crianças de orfanatos britânicos enviadas à Austrália, África do Sul e outros países da Commonwealth no século XX são alvo de uma investigação pública iniciada nesta segunda-feira em Londres.
No âmbito de um programa que se estendeu entre os anos 1920 e 1970, cerca de 150.000 crianças de três a 14 anos, órfãos, filhos de mães solteiras ou de famílias que não podiam criá-los, foram enviados à Austrália, Canadá, África do Sul, Zimbábue (então Rodésia) com a promessa de "uma vida melhor". Em muitos casos, sem o consentimento dos seus pais.
A ideia era aliviar os orfanatos do Reino Unido, resolver a crise de mão de obra naqueles países e povoá-los com pessoas brancas, mas para as crianças foi um inferno causado por trabalhos próximos à escravidão e abusos constantes.
A recém-lançada Comissão independente de investigação sobre abusos sexuais iniciou nesta segunda-feira as audiências para investigar os abusos a esses menores, concentrando-se no período posterior à Segunda Guerra Mundial e no papel que 13 instituições desempenharam no seu sofrimento.
Aswini Weereratne, da Fundação de Crianças Emigrantes, como aqueles menores são conhecidos, disse que é "impossível resistir à conclusão de que algumas das coisas que foram feitas eram de uma depravação inaceitável. Termos como 'abusos sexuales' são suaves demais para descrevê-las".
"Não foi uma emigração voluntária, foi uma deportação forçada", acrescentou a advogada, falando de "torturas, estupros e escravidão", em muitos casos.
A responsável legal da investigação, Henrietta Hill, lembrou que o "governo britânico financiou parcialmente o programa, aprovou as instituições residenciais e foi responsável por autorizar a emigração de crianças enviadas por autoridades locais".
"A emigração infantil foi um erro. Não deveria ter sido aprovada nem facilitada pelo governo", disse a representante do governo na investigação, a advogada Samantha Leek.
"As consequências permanentes" para as vítimas "são motivo de arrependimento sincero e profundo", acrescentou Leek.






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