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Se quisermos acabar ou pelo menos aliviar certas enfermidades, precisamos saber de onde elas vêm. Precisamos saber como elas evoluíram e se adaptaram para nos atacar. Uma dos grandes vilões a serem reconhecidos são os vírus, especialmente os retrovírus – a família a que pertence o vírus da AIDS. Por isso é tão interessante que um artigo recente tenha revelado que esses vírus estão entre nós há 500 milhões de anos, 400 a mais do que se acreditava até o momento.
Uma diferença muito marcante. Como é possível que estivéssemos tão errados? A razão é muito simples: vírus não deixam fósseis, pelo menos não da maneira habitual. Também não é fácil estudar os poucos remanescentes paleontológicos. Mas o caso do retrovírus é especial.
O segredo está no próprio nome. Os retrovírus são vírus que armazenam informação genética na forma de RNA e não de DNA. Quando eles infectam um hospedeiro, passam informações ao DNA, na direção oposta em que as informações genéticas fluem normalmente. E por isso eles são chamados de retrovírus.
Isso permite a eles uma façanha que poucos vírus conseguem realizar: a inserção no genoma. Quando estão na forma de DNA, os vírus podem integrar os cromossomos da vítima, continuando a existir com o passar das gerações.
Isso permite que certas doenças sejam estudadas por um ponto de vista evolutivo, o que seria quase impossível, em outros casos. Mas há um problema. Sua taxa de mutação, a quantidade de alterações em pares de bases do DNA, é muito superior a de qualquer organismo. E essa taxa de mutação costuma ficar com a espécie, até o momento da evolução.
Para realizar seu estudo, os pesquisadores precisaram criar um novo sistema de datação. Na realidade, eles modificaram os já existentes, tentando calcular o quão rápida pode ser a mutação de um vírus quando ele está integrado ao DNA.
E o resultado obtido é impressionante. Eles encontraram retrovírus que datam de pelo menos 450 milhões de anos atrás. Para se ter uma ideia melhor desse tempo, 450 milhões de anos atrás, nossos ancestrais ainda não tinham saído dos mares.
Dessa forma, conclui-se que os retrovírus existem desde que a vida na Terra era apenas aquática, o que já diz bastante sobre suas capacidades de adaptação. Em uma estimativa mais ampla, os pesquisadores acreditam que os retrovírus já estavam presentes nos animais há 540 milhões de anos.
Essas informações ainda não são suficientes para curar a AIDS ou o câncer provocados por este tipo de vírus, mas podem ser um passo muito importante para se alcançar esse objetivo.





José de Toledo
Yahoo Noticias

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