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Apesar do que o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, e outros altos oficiais do país vêm declarando nos últimos tempos, é muito pouco provável que Ancara feche a base aérea de Incirlik, usada pela coalizão internacional, aproveitando-se dela para pressionar Washington, disse um especialista à Sputnik.

"Eu não espero que Incirlik seja fechada, mas a Turquia está usando isso como ferramenta de pressão contra os EUA a fim de ganhar mais apoio na luta contra o Daesh e também, se quiser, de impedir que os norte-americanos enviem armas aos terroristas na Síria, inclusive aos do PYD [Partido da União Democrática] e de outros grupos ligados", afirmou o Dr. Huseyin Bagci em uma conversa com a Sputnik Internacional.
O Partido da União Democrática (PYD), partido político curdo que atua no Norte da Síria, e sua ala armada conhecida como as Unidades de Proteção Popular (YPG) são fundamentais nos esforços de Washington para expulsar o Daesh da Síria, mas Ancara os considera como grupos terroristas afiliados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), sedeado na Turquia. As autoridades turcas têm combatido o PKK há décadas. Em meados de 2015, as tensões se agravaram.

O Doutor Bagci, professor e presidente do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Técnica do Oriente Médio em Ancara, acredita que os comentários recentes sobre a base aérea de Incirlik poderiam estar ligados ao "descontentamento" da Turquia pela falta de apoio da coalizão liderada pelos EUA na operação anti-Daesh, realizada no Norte da Síria.
O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, e "o governo turco estão desiludidos com a política norte-americana", mas ambos "esperam que a confiança entre Ancara e Washington seja restituída com a chegada de Donald Trump ao poder", realçou o analista.
Na quarta-feira (4), Cavusoglu mencionou Incirlik ao citar o questionamento dos turcos sobre o uso da base aérea pelos EUA, que, segundo eles, não vêm prestando ajuda alguma na operação turca Escudo do Eufrates.
A operação Escudo do Eufrates, maior ofensiva fronteiriça, foi iniciada por Ancara para lidar com o Daesh no Norte da Síria e impedir que os curdos sírios aumentem sua presença na região.

"Permitimos não somente aos aviões dos EUA, mas a todos de outros países que usem a Incirlik no intuito de lutar [contra o Daesh] juntos", afirmou Cavusoglu. "Se a coalizão foi criada para combater o Daesh, e a Turquia, por sua vez, criou as condições para fazer oposição eficaz aos terroristas, então por que Ancara não está recebendo o apoio necessário? <…> Os EUA são um aliado muito importante para nós. Nós cooperamos em todas as esferas. Mas a realidade é essa — há uma crise de confiança nas relações neste momento", resumiu o ministro.
No dia seguinte, o porta-voz do presidente turco, Ibrahim Kalin, reiterou que a Turquia tem o direito de fechar a base, mas acrescentou que as autoridades do país não estão considerando tal hipótese.





Sputnik.

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