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Pelo menos 60 pessoas morreram, várias delas decapitadas, em uma violenta rebelião em uma penitenciária de Manaus, no mais recente episódio de uma guerra entre facções que disputam o tráfico de drogas no Brasil.

"Os presos foram mortos pelos próprios internos, em um confronto de extrema violência que durou cerca de 15 horas", informou a Secretaria de Segurança do estado do Amazonas.

A violência foi motivada por confrontos entre duas facções criminosas dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim: o Primeiro Comando da Capital (PCC), originário de São Paulo, e o grupo local Família do Norte (FDN).
"É o maior massacre do sistema prisional do Amazonas", afirmou Fontes, assegurando que grupos de narcotraficantes disputam dinheiro e território.

"Muitos foram decapitados e todos sofreram muita violência" para mandar um recado para seus inimigos, acrescentou Fontes sobre uma prática recorrente neste tipo de conflitos no Brasil.

A rebelião ocorreu no complexo penitenciário Anísio Jobim, na periferia de Manaus.

Familiares dos internos se aglomeraram nesta segunda-feira (2) na porta do presídio à espera de notícias das autoridades, que ainda não revelaram a identidade das vítimas.

As autoridades conseguiram salvar a vida de aproximadamente 12 reféns e patrulharam a área em busca de dezenas de presos que escaparam uma hora antes do início da rebelião, no domingo (1º). Ainda não se sabe se a rebelião está ligada ao massacre.

Dos 87 réus que foram considerados foragidos, cerca de 40 já foram recapturados, informou a Secretaria de Segurança à AFP.

"A disputa entre facções criminosas ocorre em todo o Brasil, em todas as unidades penitenciárias", disse o secretário de Administração Penitenciária do estado do Amazonas, Pedro Florêncio, em coletiva de imprensa.

"Aqui no Amazonas há duas organizações, o PCC e a FDN, e ontem explodiu uma vingança de parte desta última" contra membros do PCC, completou.

O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, viajou nesta segunda-feira para Manaus para se reunir com as autoridades locais.

Presídios superlotados"O problema começa pela superpopulação carcerária", considerou Marcos Fuchs, diretor-adjunto da ONG Conectas Direitos Humanos, que tem uma área dedicada a avaliar o cumprimento dos direitos humanos nas prisões brasileiras.

"Ao se colocar em uma mesma unidade penitenciária (réus) de duas facções rivais, o Estado não tem qualquer controle do que acontece ali dentro, e quem comanda é o crime organizado", afirmou Fuchs em entrevista à AFP.

Advogado especialista em direitos humanos, Fuchs explica que as disputas externas pelo controle do narcotráfico saem de dentro das prisões.

Em outubro passado, um confronto entre facções rivais dentro de um presídio no estado de Roraima deixou pelo menos 25 mortos.

O Brasil tem a quarta maior população prisional do mundo, depois de Estados Unidos, China e Rússia.

Segundo um estudo do Ministério da Justiça, a população carcerária, cuja maioria dos presos é de jovens negros, era de 622 mil pessoas no final de 2014.

Para enfrentar a superpopulação dos presídios, o Brasil deveria aumentar em 50% o número de vagas.

No Amazonas, com uma população carcerária superior a 8.800 presos, as penitenciárias abrigam 2,59 presidiários por cada vaga disponível.

Além de facilitar o contacto entre integrantes de facções rivais, a superpopulação "traz problemas psicológicos, doenças, problemas na alimentação, nas condições de vida e provoca uma falta de ressocialização, de oportunidades de trabalho" para os presos, apontou Fuchs.





AFP.

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