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O papa Francisco recebeu neste sábado em uma audiência privada no Vaticano o presidente palestino, Mahmud Abbas, que, em seguida, inaugurou a embaixada palestina junto à Santa Sé.

A representação diplomática palestina está localizada em um prédio em frente ao Vaticano que já abriga as embaixadas do Peru e Burkina Faso junto à Santa Sé.

Dirigindo-se brevemente aos repórteres em frente ao edifício, Abbas reiterou sua oposição à transferência da embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

"Ainda não podemos dizer nada, uma vez que ainda não aconteceu, mas se isso acontecer, não iria ajudar o processo de paz. Espero que isso não aconteça", declarou Abbas em árabe.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu durante sua campanha eleitoral reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e deslocar a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém.

Se cumprir com esta promessa, romperia com a política histórica dos Estados Unidos, que também é a da grande parte da comunidade internacional, para quem o status de Jerusalém, também reivindicado pelos palestinos como capital de seu futuro Estado, deve ser resolvido por meio de negociações.

Antes da inauguração, Abbas se reuniu por vinte minutos com o papa Francisco, que o acolheu calorosamente.

Entre os presentes trocados, Mahmud Abbas ofereceu ao papa uma pedra da igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, de acordo com Greg Burke, diretor de comunicação da Santa Sé.

Um comunicado do Vaticano "expressou a esperança de qe negociações diretas entre as duas partes sejam retomadas, a fim de acabar com a violência que causa sofrimento inaceitável às populações civis e chegar a uma solução justa e durável".

"É preferível adotar medidas com o apoio da comunidade internacional, favorecendo a confiança recíproca e contribuindo para criar um clima que permita tomar decisões corajosas em favor da paz", segundo a mesma fonte.

Esta audiência privada foi o terceiro encontro entre o papa e Abbas depois da visita em 2014 do pontífice a Israel e aos Territórios palestinos ocupados e da vinda do líder palestino ao Vaticano em 2015 para a canonização de duas religiosas palestinas, Mariam Bawardi (1846-1878) e Marie-Alphonsine Ghattas (1843-1927).

As relações entre o Vaticano e a Autoridade Palestina atingiram uma nova fase em 2015 com a assinatura de um acordo que levou à criação de uma embaixada palestina no Vaticano.

O acordo, selado dois anos após o reconhecimento pelo Vaticano da Palestina como um Estado, provocou a ira de Israel.

O Vaticano realiza um exercício diplomático delicado entre Israel e os palestinos, uma vez que comunidades católicas estão localizadas em ambos os lados deste berço do cristianismo que ainda é importante local de peregrinação.

O primeiro papa a afirmar que os palestinos formavam um "povo" e não simplesmente um grupo de refugiados foi Paulo VI em 1975.

Em 1987, João Paulo II nomeou pela primeira vez um árabe palestino como patriarca latino em Jerusalém, o bispo Michel Sabbah, uma voz forte para lembrar a opressão sofrida pelos palestinos sob a ocupação israelense.

Paulo VI em 1964, João Paulo II em 2000, Bento XVI em 2009 e Francisco em 2014 visitaram a Terra Santa.





AFP.

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