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É alto o risco de uma pandemia provocada pela resistência de infecções a antibióticos na próxima década, alertou nesta sexta-feira o bilionário Bill Gates, que investe em melhorias na saúde pública por meio de sua fundação filantrópica. O risco, ele ressalta, é especialmente preocupante para países pobres ou em desenvolvimento, e é dever das nações ricas investirem na busca de novas vacinas e tratamentos para doenças com potencial de surtos e epidemias. Tanto por razões humanitárias quanto pela própria segurança sanitária dessas nações.

Gates afirmou que o sucesso dos antibióticos criou uma complacência generalizada, que agora está sendo exposta pela resistência de bactérias e vírus aos remédios que temos.
— Eu cruzo meus dedos o tempo todo para que alguma epidemia de gripe não comece nos próximos 10 anos. Poderia se tornar rapidamente uma pandemia — disse Gates em uma edição especial do programa “Today” da Radio 4, na Inglaterra. — Eu acho que teremos ferramentas médicas muito melhores, uma resposta muito melhor, mas agora estamos um pouco vulneráveis se algo como uma gripe se espalhar muito rapidamente como uma gripe, o que seria fatal. Isto seria uma tragédia e novas abordagens devem nos permitir reduzir muito esse risco.
Ele lembrou que a cooperação internacional levou à erradicação da varíola e está prestes a erradicar a poliomielite. No entanto, os vários tipos do vírus Influenza — da gripe —, o vírus da zika e o do Ebola permanecem um desafio.
— A cooperação que temos visto precisa se intensificar. É a única maneira de resolvermos esses problemas globais, como as epidemias. Precisamos realmente nos dedicar a essa cooperação global.
Em setembro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que a resistência de bactérias e vírus a antibióticos era uma “ameaça fundamental” à saúde global, que arriscava tornar impossível a realização de cuidados de saúde universais de alta qualidade.
Estima-se que mais de 700 mil pessoas morram a cada ano de infecções resistentes aos medicamentos. E esse número tente a estar muito abaixo do real, porque não há um sistema global para monitorar esse tipo de dado. Também tem havido dificuldade no rastreamento do número de mortos, mesmo em locais onde isso é monitorado, como nos EUA, onde dezenas de milhares de mortes não foram atribuídas a superbactérias — aquelas resistentes a medicamentos —, de acordo com uma investigação da Reuters.

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