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Os homens que Donald Trump escolheu para integrarem o Governo dos EUA e estão a ser auditados no Senado - que tem que confirmar as nomeações - continuam a distanciar-se das declarações do Presidente eleito quando respondem às perguntas dos senadores. Esta quinta-feira, foram interrogados Mike Pompeo e o general James Mattis (respectivamente CIA e Pentágono) e ambos advertiram para o perigo que constitui a Rússia.
Mattis disse que a Rússia, a China e os militantes islamistas radicais são as grandes ameaças para os EUA, ao defender que o Congresso deve acabar com os limites a certos gastos militares que, na sua opinião, estão a diminuir a capacidade de resposta do país. Foi neste momento que disse: "Considero que a principal ameaça começa na Rússia".
No painel que interrogou Mattis e Pompeo estava o senador John McCain, um dos mais duros críticos da política de bom entendimento com a Rússia defendida por Trump. Os candidatos a um lugar na Administração Trump pareceram responder diretamente a McCain - e tudo o que disseram só pode ter agradado ao influente senador republicano.
Pompeo disse pretender dar uma resposta "incrivelmente forte" à pirataria informática de Moscou e garantiu que investigará o relatório onde é exposto que a Rússia, através de ciberataques, interferiu no processo eleitoral americano. Contrariando Trump, que acusou as agências de informação de terem passado aos media uma adenda desse relatório que diz que o Kremlin tem na sua posse dados comprometedores sobre Trump (episódios sexuais), defendeu a espionagem americana e afirmou que a Rússia tem de pagar pelo que fez.
O general na reserva - noutro distanciamento do Presidente eleito, que pôs em causa o papel da OTAN e os gastos dos EUA com a defesa coletiva dos aliados - defendeu a Aliança Atlântica e acusou o Presidente russo de pretender "destruir a aliança militar de maior sucesso da História". Defendeu o reforço de efetivos nos países bálticos - operação em curso - para travar a ameaça russa.
Os analistas disseram que Pompeo e Mattis fizeram um "jogo de equilíbrios" (CNN) que pode tornar-se uma constante durante a Administração Trump (El País). Ou seja, foram a uma entrevista de emprego e disseram o que queria ouvir quem os estava a interrogar; entraram em contradição com as posições assumidas pelo homem que os escolheu para apaziguar o Congresso e para explicarem que, depois de Trump tomar posse, a 20 de Janeiro, poderá haver muitos ajustamentos entre o que é dito por uns e os que é dito por outros.





Público.

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