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O país atualmente parece dividido entre aqueles que veem a "ameaça russa" e aqueles que veem propaganda.

Frente ao crescimento dos receios nos países escandinavos em relação à Rússia, o ministro da Defesa dinamarquês, Claus Hjort Frederiksen, se juntou ao coro nórdico, avisando que a Dinamarca alegadamente enfrenta uma ameaça "muito séria" colocada pela Rússia.

Segundo disse o ministro, do Partido Liberal, ao jornal Berlingske, ele está primeiramente preocupado com a "ameaça dupla" que a Rússia alegadamente representa, que inclui quer ameaças físicas quer virtuais.
 
De acordo com Frederiksen, a ameaça "física" é a presença de sistemas de mísseis Iskander na região russa de Kaliningrado, que potencialmente poderão atingir a capital dinamarquesa Copenhague.
 
Falando sobre a "ameaça virtual" o político destacou que o seu país provavelmente vai se tornar alvo de ações por parte de grupos financiados pelo governo russo. Ele falou sobre a possibilidade de a Dinamarca vir a enfrentar um "esforço online coordenado", organizado pela Rússia, na tentativa de minar o processo democrático no país. Mais concretamente, para argumentar a sua posição, Frederiksen se referiu aos rumores sobre os "hackers russos" durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Para conter a suposta ameaça, que parece muito real para o político, ele sugeriu que o país se proteja de ataques de hackers que, segundo ele, estão prontos para atacar a infraestrutura da Dinamarca, como hospitais e redes de abastecimento de eletricidade, e "espalhar o medo e a insegurança entre a população dinamarquesa".
 
Neste sentido, o político apelou a modernizar imediatamente a defesa da Dinamarca, especialmente tendo em conta as recentes declarações do presidente eleito dos EUA Donald Trump de que os países-membros da aliança militar devem gastar mais com a defesa caso eles queiram beneficiar da proteção norte-americana.

As declarações de Claus Hjort Frederiksen já provocaram uma onda de ceticismo entre os políticos do país. A porta-voz militar do Partido Popular Dinamarquês, Marie Krarup, classificou o político como "histérico", dizendo que a Rússia continua apenas o processo de modernização do seu exército.
 
"Deve ser histérico para chamar isso de ameaça real. A Rússia só é comparável com o Ocidente em relação às armas nucleares e só nisso," declarou Krarup ao Berlingske.
 
"As declarações de Hjort são propaganda clara. O ministro precisa de dinheiro e, por isso, ele cria uma imagem assustadora da Rússia como uma ameaça séria que está chegando do oriente", opinou a jornalista russo-dinamarquesa Larisa Solodchenko no ar do canal de TV TV2.
 
A OTAN exige a cada país-membro gastar 2% do PIB em defesa, mas atualmente a Dinamarca só gasta 1,17 %. Hjort Frederiksen, como ex-ministro das Finanças, admitiu que a tarefa de quase dobrar os gastos não é realista, mas, mesmo assim, chamou à compreensão pela população no caso de futuros aumentos.

Em 2017 as despesas militares da Dinamarca deverão ser cerca de 21 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de 3 bilhões de dólares). Ao mesmo tempo, 2% do PIB do país equivale a 41 bilhões de coroas (cerca de 6 bilhões de dólares), o que mostra a clara disparidade com o atual nível de gastos.
 







Sputnik.

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