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Perspectiva das negociações para um acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul suscitou nesta sexta-feira em Paris uma esperança prudente em meio a representantes governamentais, entre outras razões pelas novas regras que a França quer incorporar.

O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, manifestou interesse em um acordo UE-Mercosul no discurso inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, antes de ser recebido no Palácio do Eliseu pelo presidente da França, François Hollande.

Cartes ressaltou sua posição "firme" para reforçar a livre circulação de produtos e serviços no interior do Mercosul e as esperanças postas nas negociações com a União Europeia, após a troca de ofertas feitas em maio.

O ministro de Fazenda paraguaio, Santiago Peña, disse à Agência Efe que esse acordo era o principal assunto que havia sido preparado para o encontro entre Hollande e Cartes, o primeiro entre os presidentes de ambos os países em quase 20 anos.

Perguntado sobre um prazo para as discussões apresentarem resultados, Peña se mostrou prudente e respondeu que "por parte do Mercosul, por parte do Paraguai, estamos prontos".

"Somos uma economia pequena, mas aberta ao mundo. Entendemos que quanto mais acordos de livre-comércio tivermos, mais benéfico será para o país. A Europa também tem sua própria dinâmica. Esperamos que possam resolvê-lo o mais rapidamente possível", analisou.

Embora o ministro de Economia francês, Emmanuel Macron, tenha manifestado esperança em que as negociações resultem um acordo "ambicioso que responda aos interesses mútuos", o secretário de Estado do Comércio Exterior, Matthias Fekl, citou uma série de novas regras que seu país quer introduzir.

Fekl detalhou que estas conversas "devem ser a ocasião para fixar regras em nível mundial" sobre "novos desafios".

Concretamente, falou de critérios ambientais, para levar em conta os compromissos do acordo climático de Paris de dezembro, mas também outros de caráter trabalhista e social, assim como os que se referem à economia digital.

O secretário de Estado francês também se referiu à ideia de "um tribunal de justiça multilateral" para abordar os litígios.

O ministro de Fazenda argentino, Alfonso Prat-Gay, considerou que com a troca de ofertas entre Mercosul e UE, que abre as portas para a negociação prevista para setembro, "estamos a caminho de um acordo comercial".

A secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcenas, mencionou que o comércio internacional perdeu dinamismo - só cresce ao mesmo ritmo que a economia em geral - e manifestou preocupação pela situação econômica da UE, que representa um terço do comércio mundial.

Bárcenas também afirmou que dentro da América Latina, o comércio em seu interior "está muito abatido", e inclusive reduziu seu peso relativo a 17% das exportações dos países da região, quando no caso da Europa essas trocas significam 60% das vendas ao exterior.

Por outro lado, a secretária executiva da Cepal pediu "uma ruptura" nas prioridades com a ideia de "colocar a igualdade no centro", e isso passa em primeiro lugar por lutar contra a evasão fiscal, da qual se beneficiam coletivos privilegiados e que custa à América Latina US$ 320 bilhões, ou 6,3% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, aproveitou a presença de membros do governo francês para pedir que Paris faça valer sua influência no Fundo Monetário Internacional (FMI) para modificar as regras de contabilidade do déficit e permitir que os países latino-americanos aproveitem as baixos taxas de juros para fazer investimentos.

"Há melhores caminhos que a austeridade a todo custo", afirmou Moreno, que considerou que as instituições financeiras internacionais teriam que ajudar para que esses países "acelerem os investimentos em infraestrutura física, mas também em programas sociais para estimular assim o crescimento econômico.




EFE